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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 164

O mês de julho tornava Aurimare quase insuportável de tão abafada.

Assim que Larissa entrou no carro, o ar fresco a envolveu por inteiro. Ela consultou o horário no celular e olhou para Arthur.

— Você está livre amanhã?

— Estou.

Arthur tomou sua mão entre as dele.

— Eu sei que amanhã faz mais um ano que sua mãe se foi. Vou com você. Já deixei tudo preparado para a homenagem.

Larissa virou o rosto devagar.

Por alguns segundos, apenas contemplou os traços elegantes de Arthur, banhados por uma ternura que quase lhe doeu.

— Como você se lembrou?

Uma sombra se escondeu no fundo do olhar dele, mas o sorriso que lhe ofereceu foi sereno.

— Você comentou uma vez. Eu guardei.

O nariz de Larissa ardeu.

O calor subiu aos olhos tão depressa que ela quase não conseguiu conter as lágrimas. Ainda assim, respirou fundo e forçou um pequeno sorriso.

— Obrigada por se lembrar dessas coisas.

Nem ela mesma acreditava que, no dia seguinte, Arthur estaria ao seu lado diante do túmulo de sua mãe.

A princípio, nem pretendia convidá-lo.

Mas se lembrava do desejo que a mãe repetia quando ainda estava viva: que a filha crescesse e encontrasse alguém que a tratasse bem, que soubesse cuidar dela.

Arthur talvez não a amasse.

Ainda assim, por algum motivo, Larissa sentia que ele era exatamente o homem que sua mãe esperou que surgisse em sua vida.

Queria levá-lo até ela.

Queria que a mãe o visse.

No dia seguinte, no cemitério, Arthur realmente permaneceu ao seu lado diante da lápide.

Larissa fitou a fotografia da mãe, ainda jovem, com aquele sorriso suave que o tempo não conseguiu apagar.

A saudade veio como uma maré, tomando tudo por dentro.

— Mãe, eu me casei.

Ela tentou manter a voz firme, mas o silêncio se alongou até a garganta se fechar.

— Eu trouxe meu marido para conhecer você.

Larissa olhou de relance para Arthur.

— É o Arthur. Você já o conhecia. Daqui para a frente, ele vai ficar comigo... então você e o papai podem ficar tranquilos.

Quando saíram de casa, o sol castigava Aurimare sem piedade.

Agora, porém, o céu se cobria pouco a pouco.

A visão de Larissa começou a embaçar. Ela nem soube dizer se era o calor, a umidade no ar ou aquela saudade que já não cabia no peito.

Só percebeu quando uma gota fria deslizou por sua face.

Passou a mão no rosto.

Estava chorando.

Que falta de jeito.

Prometeu a si mesma que, daquela vez, viria ver a mãe sorrindo. Que não derramaria uma única lágrima.

Mas...

Beatriz disse que ela trouxe a morte para os próprios pais.

E Larissa sentia tanta falta deles.

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