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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 383

— Mas, Alisa... está doendo tanto. Parece que eu vou morrer...

Larissa chorava com os soluços presos na garganta, forçando-se a engolir o som enquanto o corpo inteiro traía o esforço para não desmoronar.

— Eu não fiz nada de errado... então por que fazem isso comigo? Por quê?

Era como se alguma coisa rasgasse seu coração ao meio.

A dormência que a protegeu nas últimas horas desapareceu por completo. No lugar dela, a dor voltou com toda a violência, se espalhando pelo corpo, mordendo cada nervo, cada osso, sem lhe dar um segundo de trégua.

Alisa sentiu o próprio desespero crescer. Doía vê-la assim.

E, pior, começava a ter medo de que Larissa realmente não aguentasse mais.

— Porque eles são cegos, idiotas, incapazes de enxergar o que têm diante deles. Mas isso não é culpa sua.

Alisa enxugou as próprias lágrimas e continuou falando, tentando puxá-la de volta para tudo o que ela mesma parecia ter esquecido.

— Você não lembra de como a gente se conheceu?

Larissa chorava contra seu ombro.

— Naquela época, todo mundo sabia que minha família não tinha dinheiro. Me humilhavam por isso, me perseguiam e ainda arrumaram uns marginais para acabar comigo.

A voz de Alisa falhou.

— E foi você que apareceu.

Ela apertou Larissa com mais força.

— Você era tão magrinha, parecia que qualquer vento mais forte podia te levar embora, mas mesmo assim não pensou duas vezes antes de entrar na frente por mim.

As lembranças fizeram suas lágrimas caírem ainda mais.

— E não foi só comigo. Você também defendeu aquele colega que sofria bullying quando todo mundo preferiu fingir que não viu.

Alisa afastou um pouco Larissa e segurou seu rosto molhado entre as mãos.

— Lari, pra mim, você sempre foi aquela pessoa que brilhava justamente quando todo mundo em volta escolhia virar o rosto.

Sua voz se quebrou.

— Você é boa. Boa de verdade. Muito mais do que imagina.

Alisa já chorava sem qualquer cuidado.

Pensar em tudo o que Larissa viveu, em todas as vezes que entregou o melhor de si e recebeu dor de volta, fazia seu peito doer de raiva.

Larissa se agarrou a ela.

Chorou por muito tempo.

Até a bebida pesar no corpo, os soluços perderem força e o cansaço finalmente vencer.

Adormeceu apoiada em Alisa, ainda com os cílios úmidos.

Naquela noite, Alisa não conseguiu dormir.

Ficou sentada na varanda até o amanhecer, fumando um cigarro depois do outro.

Mas ela estava longe de ser a única que atravessou a madrugada acordada.

...

Arthur também não encontrou descanso.

A inquietação o consumia, e ele acabou ligando para Ícaro, querendo companhia para beber.

A resposta veio sem piedade:

— Enquanto você não conversar direito com a Lari, nem me procura mais pra beber.

Arthur ficou em silêncio por alguns segundos.

Quando respondeu, sua voz carregava uma impotência rara nele.

— E como é que eu explico?

Ícaro sabia que a situação de Arthur não era simples.

Depois do que descobriu no hospital, até conseguia entender por que ele fez aquilo.

Entender, porém, não significava concordar.

Muito menos achar justo com Larissa.

— Seu maior erro foi achar que ela não aguentaria a verdade.

Ícaro fez uma pausa.

— Ela não é mais a garota de dez anos atrás. Talvez hoje consiga enfrentar muito mais do que você imagina.

Arthur fechou os olhos, já sem paciência.

— Está bem. Bebe se quiser. Se não quiser, deixa pra lá.

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