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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 460

Larissa não se abalou com os insultos de Melissa. Mas, ao ouvi-la mencionar a noite do aniversário, não conseguiu evitar que a humilhação daquele dia voltasse à memória.

— Gente como você só aprende quando sofre as consequências.

Arthur lançou a Melissa um olhar cortante. Não precisou elevar a voz para deixar claro que sua paciência chegou ao fim.

— Levem-na à delegacia. E, desta vez, quem tentar interceder por ela vai responder junto.

— Não!

O rosto de Melissa perdeu a cor. A arrogância de segundos antes deu lugar ao pânico.

— Arthur, você sabe o quanto a mamãe gosta de mim! Se me mandar prender, ela nunca vai te perdoar!

Ele não lhe deu sequer uma resposta.

— Arthur, por favor! Não faz isso! Arthur!

Os gritos ficaram cada vez mais distantes enquanto Pedro a retirava dali e providenciava sua condução à delegacia.

Ciro, por sua vez, só conseguiu relaxar ao se certificar de que Larissa estava a salvo. A mão que pressionava o ferimento escorregou de sua cabeça e, antes que pudesse se apoiar em alguma coisa, sua visão escureceu. Ele desabou no chão.

A ambulância chegou pouco depois e o levou às pressas para o hospital. Diante da emergência, Larissa deixou as desavenças com Arthur de lado e aceitou acompanhá-lo no carro.

Felizmente, Ciro recebeu atendimento a tempo. Apesar da grande perda de sangue, não corria risco de morte. Precisou de várias transfusões, porém, e ainda demoraria a recuperar a consciência.

Quando a situação finalmente se estabilizou, Arthur consultou o relógio e falou com Larissa, num tom mais suave:

— Já está tarde. Vou deixar Pedro aqui acompanhando tudo. Eu levo você para casa.

O olhar de Larissa pousou por acaso no pulso dele.

Arthur continuava usando aquele relógio de mostrador estrelado, o par do modelo que deu a ela. Parecia gostar tanto da peça que nunca a tirava.

Larissa desviou os olhos sem comentar. Depois de tudo o que aconteceu naquela noite, também não viu motivo para recusar a carona.

Na volta, permaneceu quieta no banco do passageiro, contemplando as luzes de Aurimare pela janela.

Os cabelos castanhos, antes presos num rabo de cavalo alto, agora caíam soltos sobre os ombros. Algumas mechas acompanhavam a curva de seu rosto, emoldurando uma expressão cansada, distante. Ela emagreceu tanto nos últimos tempos que a figura esguia parecia ainda mais frágil sob a roupa lilás.

Arthur a observou de relance.

Por um momento, sentiu vontade de tocá-la, de lhe oferecer algum conforto. Manteve a mão esquerda no volante e estendeu a direita na direção dela, mas hesitou antes de alcançar seu ombro.

Os dedos permaneceram suspensos por um instante, até que ele recolheu a mão.

O silêncio continuou entre os dois, acompanhado apenas pelo ruído discreto do motor.

— Você não precisava comprar outro apartamento — Disse ele, por fim. — A mansão já está no seu nome. Pode continuar morando lá.

Arthur engoliu em seco. A voz saiu rouca, muito diferente da firmeza com que costumava falar.

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