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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 467

Era exatamente aquilo que Arthur mais temia.

Por isso aceitou o ressentimento dela, o desprezo, até a possibilidade de perdê-la. Se manter aquela verdade enterrada poupasse Larissa de carregar uma culpa que nunca deveria ser sua, ele suportaria tudo.

Mas seu pior medo acabou se cumprindo.

Ela descobriu.

— Larissa, não foi assim. A morte da sua mãe não foi culpa sua... — A voz de Arthur saiu rouca, comprimida pela própria dor. — Você era só uma menina. Não coloca nas suas costas uma responsabilidade que nunca foi sua. Foi um acidente. Ninguém queria que aquilo acontecesse.

Ele a apertou ainda mais contra o peito, tentando alcançar Larissa através daquele desespero.

Mas ela já não conseguia ouvi-lo.

— Então o que eu faço agora? — A pergunta se perdeu entre os soluços. — Me diz o que eu faço...

Larissa ergueu o rosto, completamente desfeito pelo choro.

— Minha mãe morreu por minha causa. Agora meu avô está no hospital por minha causa também... e você fez tudo aquilo por minha causa...

A voz se partiu.

— Então o que eu sou, Arthur? Uma desgraça na vida de todo mundo?

Ela começou a bater no peito dele, sem força medida, tomada por uma dor que precisava sair de algum jeito.

Num dos movimentos, a agulha da infusão se desprendeu de sua mão.

O sangue surgiu de imediato, espalhando gotas vivas sobre a pele e o lençol branco.

Larissa nem percebeu.

Arthur segurou seu pulso depressa e pressionou o local para conter o sangramento. Os olhos dele estavam vermelhos, tomados por uma impotência que raramente permitia que alguém visse.

Mas não encontrou palavras.

Como poderia?

Larissa chorava contra seu peito, os soluços sacudindo o corpo inteiro. As lágrimas molharam a camisa de Arthur enquanto ela repetia, quase sem perceber:

— O que eu faço agora?... O que eu faço?

Arthur fechou os olhos por um instante e a envolveu com mais força.

Qualquer tentativa de consolo soaria pequena demais diante daquela dor.

Então não tentou explicar mais nada.

Ficou ali.

Uma mão segurava a dela, comprimindo o ponto onde a agulha saiu; a outra permanecia firme em suas costas, sustentando-a enquanto Larissa desmoronava em seus braços.

Cada soluço parecia atingir Arthur no mesmo lugar.

E agora assistia, sem conseguir protegê-la, enquanto Larissa transformava em culpa tudo o que perdeu.

Ela chorou até não sobrar força.

Aos poucos, os soluços se tornaram mais espaçados, o corpo perdeu a tensão, e Larissa acabou adormecendo exausta contra o peito de Arthur.

Ele continuou sem se mover.

Na mão onde estava a infusão, o sangue já secava sobre a pele. Parte do lençol branco também ficou manchada.

Arthur permaneceu à cabeceira, observando o rosto de Larissa ainda marcado pelo choro. Mesmo adormecida, ela mantinha a testa franzida, como se nem o sono conseguisse afastá-la daquela dor.

De vez em quando, alguma palavra escapava entre os lábios.

— Mãe... me desculpa...

Pouco depois, outra vez, quase num fio de voz:

— Me desculpa...

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