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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 57

Ela soltou o ar devagar. Os dedos se fecharam com mais força em torno da própria mão.

— Nosso casamento sempre foi um acordo. Pode acabar a qualquer momento. Eu só quis sair antes de atrapalhar a sua vida... Isso é tão errado assim?

A voz já vinha marcada pelo choro.

Arthur era muito mais alto. Ao baixar os olhos para ela, viu tudo com nitidez demais: as lágrimas presas nos cílios, os olhos avermelhados, a boca rubra comprimida com força, aquele esforço quase feroz para não desabar. Como se bastasse um toque a mais para quebrá-la inteira.

— Me perdoa. — A voz de Arthur baixou.

O coração dele pareceu levar um golpe seco.

Tinha odiado a própria impulsividade. O jeito duro como falou. A forma descuidada com que a feriu.

Ele não imaginou que aquela frase a atingiria tão fundo.

E isso só deixava tudo mais claro.

Ciro tinha machucado Larissa muito mais do que ele supunha.

Larissa abaixou os olhos.

Um gosto amargo se espalhou por dentro.

Ele estava pedindo desculpas.

Pedindo desculpas a ela.

No fim, não era a confirmação silenciosa de tudo o que ela tinha acabado de dizer?

Então era isso.

Aquele casamento, cedo ou tarde, realmente chegaria ao fim.

— Não precisa se desculpar... — Ela sorriu de leve, um sorriso cansado, quase resignado. — Eu já disse. É um casamento por acordo. Pode terminar a qualquer hora.

— Quem disse que eu vou me divorciar? — O semblante de Arthur se retesou na mesma hora.

Larissa ergueu os olhos, confusa.

— Então por que você pediu desculpa...?

Ela não terminou.

No segundo seguinte, Arthur entendeu de onde vinha o mal-entendido. A tensão presa entre as sobrancelhas enfim afrouxou.

— A Vânia é só minha amiga. E minha parceira de trabalho. — Explicou, com calma. — Não é ela a mulher de quem eu gosto. E eu nunca pensei em me divorciar de você.

Larissa percebeu que ele não estava mentindo.

Mesmo assim, ficou parada por alguns segundos, digerindo aquilo.

Só amiga?

Só parceria profissional?

Que tipo de parceria colocava os dois juntos de madrugada?

E, mais do que isso, a ponto de ela atender o celular dele?

As dúvidas se empilharam no peito de Larissa.

Arthur pareceu adivinhar todas.

Então continuou, a voz grave e limpa, agora mais paciente:

— Ela é vice-presidente da minha empresa. Dessa vez, por coincidência, também estava em Maridiana. Nós jantamos e depois ficamos acertando os últimos detalhes de uma aquisição.

Ele fez uma breve pausa antes de completar:

— No meio disso, precisei sair por um momento e deixei o celular. Ela atendeu porque achou que podia ser algo importante.

Arthur explicou tudo com clareza, sem deixar brecha.

Só então Larissa entendeu.

Era isso.

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