A mão de Arthur ficou tensa ao lado do rosto dela, sustentando o próprio peso. Nos olhos, a hesitação vinha misturada a uma preocupação que ele não conseguiu esconder. Só depois de alguns segundos, perguntou em voz baixa:
— Larissa, você sabe quem eu sou?
— Arthur... — O nome saiu da boca dela num sopro macio, levemente rouco.
Foi o bastante.
Dentro dele, alguma coisa explodiu em silêncio, luminosa e feroz. O olhar de Arthur se incendiou. O corpo cedeu um pouco mais sobre o dela, pronto para aprofundar aquele beijo.
Mas, no instante seguinte, os braços de Larissa perderam a força e tombaram devagar.
Os olhos continuaram fechados. A respiração, leve. O peito subia e descia num ritmo manso, sereno.
Ela tinha dormido.
A luz suave do quarto escorria sobre seu rosto. De perto, até os pelinhos finos da pele eram visíveis. As faces coradas a deixavam com um ar doce demais, como uma fruta madura prestes a se desfazer ao toque.
Arthur a observou por alguns segundos.
Então soltou uma risada baixa, rendida, e se levantou para tomar um banho frio.
...
Quando Larissa despertou na manhã seguinte, a cabeça latejava sem piedade.
Sentou-se na cama e se apoiou na cabeceira, tentando puxar pela memória. Pensou, insistiu, voltou atrás... e não conseguiu lembrar como tinha ido parar ali na noite anterior.
A última coisa de que se recordava era de ter bebido com Arthur para comemorar.
Depois disso, tudo virava névoa.
A porta do quarto se abriu.
Arthur entrou vestindo uma roupa de casa em tons de cinza-claro e branco. Sem a rigidez habitual dos ternos, parecia menos inacessível. Menos severo. Havia nele uma suavidade rara, quase perigosa.
— Bebe isso. — Ele se aproximou da cama com uma tigela de caldo para ressaca.
Larissa torceu o nariz só de sentir o cheiro.
— O que é isso?
— Algo para cortar a ressaca. — A voz dele veio calma, envolta naquela paciência morna que só aparecia com ela. — Você bebeu além da conta ontem. Isso vai ajudar com a dor de cabeça.
Larissa soltou um som curto, ainda meio perdida. Então sua primeira reação foi outra:
— Eu não fiz nada vergonhoso, fiz?
Ao ouvir aquilo, Arthur se lembrou do beijo da noite passada.
E, pior, lembrou com detalhes demais.
— Fez. — O canto da boca dele se curvou num gesto preguiçoso, quase maldoso. — Você me beijou.
Larissa arregalou os olhos.
Pelo jeito dele, não parecia brincadeira.
A vergonha subiu de uma vez, queimando-lhe o rosto. Sem saber onde enfiar a cara, ela pegou a tigela das mãos dele e bebeu tudo de um gole só.
Arthur a observou, divertido, antes de provocá-la com toda a calma do mundo:
— Fica tranquila. Eu não deixei você ir até o fim.
Larissa permaneceu em silêncio, segurando a tigela vazia com tanta força que quase quis enfiar a cabeça ali dentro e desaparecer.
Então não havia dúvida. Na noite anterior, ela com certeza tinha passado vergonha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex
Capitulo 178, ja li essa historia em outro livro. Triste que copiem tanto. Desisti...
Meninas em qual capítulo vcs estão??...
Um capítulo por dia, e olhe lá, tá dando vontade de desistir 😭...
SÓ UM CAPITULO POR DIA.... MEU DEUS...
Esse livro esta muito bom....
Quando será lançado novos capítulos...
Quando vai sair novos capítulos? 379 em diante pelo amor de Deus 😭😭😭😭...
Qual o prazo para o lançamento dos próximos capítulos???...
Oiii o capitulo 04 não abre. Estou amando o livro, Arthur é um fofo, to aqui sonhando que não será um livro cheio de gaslighting, por favorzinho!...