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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 69

A mão de Arthur ficou tensa ao lado do rosto dela, sustentando o próprio peso. Nos olhos, a hesitação vinha misturada a uma preocupação que ele não conseguiu esconder. Só depois de alguns segundos, perguntou em voz baixa:

— Larissa, você sabe quem eu sou?

— Arthur... — O nome saiu da boca dela num sopro macio, levemente rouco.

Foi o bastante.

Dentro dele, alguma coisa explodiu em silêncio, luminosa e feroz. O olhar de Arthur se incendiou. O corpo cedeu um pouco mais sobre o dela, pronto para aprofundar aquele beijo.

Mas, no instante seguinte, os braços de Larissa perderam a força e tombaram devagar.

Os olhos continuaram fechados. A respiração, leve. O peito subia e descia num ritmo manso, sereno.

Ela tinha dormido.

A luz suave do quarto escorria sobre seu rosto. De perto, até os pelinhos finos da pele eram visíveis. As faces coradas a deixavam com um ar doce demais, como uma fruta madura prestes a se desfazer ao toque.

Arthur a observou por alguns segundos.

Então soltou uma risada baixa, rendida, e se levantou para tomar um banho frio.

...

Quando Larissa despertou na manhã seguinte, a cabeça latejava sem piedade.

Sentou-se na cama e se apoiou na cabeceira, tentando puxar pela memória. Pensou, insistiu, voltou atrás... e não conseguiu lembrar como tinha ido parar ali na noite anterior.

A última coisa de que se recordava era de ter bebido com Arthur para comemorar.

Depois disso, tudo virava névoa.

A porta do quarto se abriu.

Arthur entrou vestindo uma roupa de casa em tons de cinza-claro e branco. Sem a rigidez habitual dos ternos, parecia menos inacessível. Menos severo. Havia nele uma suavidade rara, quase perigosa.

— Bebe isso. — Ele se aproximou da cama com uma tigela de caldo para ressaca.

Larissa torceu o nariz só de sentir o cheiro.

— O que é isso?

— Algo para cortar a ressaca. — A voz dele veio calma, envolta naquela paciência morna que só aparecia com ela. — Você bebeu além da conta ontem. Isso vai ajudar com a dor de cabeça.

Larissa soltou um som curto, ainda meio perdida. Então sua primeira reação foi outra:

— Eu não fiz nada vergonhoso, fiz?

Ao ouvir aquilo, Arthur se lembrou do beijo da noite passada.

E, pior, lembrou com detalhes demais.

— Fez. — O canto da boca dele se curvou num gesto preguiçoso, quase maldoso. — Você me beijou.

Larissa arregalou os olhos.

Pelo jeito dele, não parecia brincadeira.

A vergonha subiu de uma vez, queimando-lhe o rosto. Sem saber onde enfiar a cara, ela pegou a tigela das mãos dele e bebeu tudo de um gole só.

Arthur a observou, divertido, antes de provocá-la com toda a calma do mundo:

— Fica tranquila. Eu não deixei você ir até o fim.

Larissa permaneceu em silêncio, segurando a tigela vazia com tanta força que quase quis enfiar a cabeça ali dentro e desaparecer.

Então não havia dúvida. Na noite anterior, ela com certeza tinha passado vergonha.

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