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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 98

Arthur continuou a acalmá-la, com a mesma paciência com que se embala uma criança assustada.

Aos poucos, Larissa foi cedendo.

Como se tivesse saído do gelo para se abrigar junto ao fogo, foi se soltando devagar dentro daquele abraço, até a tensão no corpo perder força.

Pequena daquele jeito, encolhida contra ele, parecia ainda mais frágil. Leve. Macia. Os dedos se fecharam no tecido da camisa sobre o peito de Arthur. Cercada pelo cheiro dele, acabou afundando no sono mais uma vez.

O coração de Arthur quase se desfez.

Ele a apertou um pouco mais nos braços, baixou o rosto e lhe beijou a testa de novo... e mais uma vez.

...

Larissa só acordou perto do meio-dia.

Na véspera, ela claramente tinha se esgotado demais. Ela praticamente não fez outra coisa além de dormir.

Quando se levantou para se arrumar, não viu Arthur no quarto e pensou que ele já tinha saído para a empresa. Só que, ao descer, deu de cara com ele na sala, atrás do sofá, diante da janela do chão ao teto, falando ao telefone.

A luz da manhã pousava sobre ele com doçura, mas nem assim conseguia vencê-lo. O rosto de Arthur brilhava mais do que o sol.

Larissa ficou olhando, presa naquela imagem.

Como ele ainda estava na ligação, ela não foi incomodá-lo. Maria trouxe um caldo fortificante que preparou para ela e disse para tomar depois do café da manhã.

Larissa obedeceu sem reclamar.

Enquanto bebia, a lembrança do que aconteceu no dia anterior voltou de leve. Então tornou a olhar para Arthur, ali perto da janela, e uma sensação estranha lhe atravessou o peito.

Era como se tivesse escapado por muito pouco.

— Ele ficou com medo de a senhora estar fraca — comentou Maria, com simpatia. — Logo cedo, já mandou a gente preparar algo forte pra senhora se recuperar. E vou te contar... ele trata a senhora bem demais.

Depois sorriu, num tom de brincadeira:

— Até eu, com essa idade, fico com inveja. Me diz, onde é que se encontra um marido desses?

Lá no fundo, Larissa concordou.

Arthur era mesmo bom demais.

Responsável. Cuidadoso. E, com ela, de uma gentileza que não deixava nada a desejar.

Ao pensar nisso, tornou a erguer os olhos para a figura alta junto à vidraça.

Calça preta. Camisa branca. Tudo nele parecia simples, mas nada era comum. Havia uma elegância sem esforço em seu jeito de estar parado, uma nobreza relaxada que não pedia atenção. Só que, quando falava com a pessoa do outro lado da linha, a expressão esfriava, ganhando aquele corte severo que lhe era tão próprio.

Bonito demais.

Agora ela entendia perfeitamente por que Arthur Vasconcelos era o homem que fazia tantas mulheres em Aurimare sonharem.

Sem perceber, Larissa ficou olhando além da conta.

Ela nem sabia com quem Arthur falava. A ligação já durava quase dez minutos.

Foi então que ele desviou os olhos e a encontrou ali, parada, com aquele olhar límpido que parecia feito de vidro claro.

No instante seguinte, um sorriso tocou de leve seus lábios. Ele apontou para a tigela diante dela, mandando, em silêncio, que terminasse tudo.

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