Sofia Palmeira disse, com um leve suspiro:
— Estou meio com pena de ir embora.
— Eu não estou nem aí, ainda mais se não vão me dar uma bolsa de presente. — Melina Barbosa respondeu, meio brincando.
— Você... você...
— Quem aceita favor, fica em dívida; quem aceita comida, depois fica sem jeito. Entendeu? — Melina Barbosa sorriu, lançando um olhar maroto.
Sofia Palmeira disse:
— Melhor nem falar mais, vai que ele aparece aqui.
Sofia Palmeira desligou o telefone, já pensando em se esconder por uns tempos.
Enquanto isso, Melina Barbosa se preparava para sair e encontrar Luísa Viana para almoçar.
Assim que viu Luísa Viana se levantar, uma colega logo se aproximou:
— Luísa Viana, Luísa Viana, aproveita que vai sair e pega meu pacote na central de entregas? Te mando o código por mensagem.
Luísa Viana hesitou:
— É que... hoje vou almoçar do outro lado, talvez não passe nem perto de lá.
— Ah, não custa nada dar uns passinhos a mais, combinado então. Da próxima vez que você precisar, eu também te ajudo.
Luísa Viana não soube como recusar e acabou aceitando, mesmo sabendo que aquela colega já havia pedido o mesmo favor várias vezes e nunca tinha feito nada por ela.
Sempre que Luísa Viana precisava de alguma coisa, essa colega fingia não ouvir ou não notar.
Outra colega logo entrou na conversa:
— Luísa Viana, aproveita e compra um prato de carne de panela pra mim, depois passa na Snowy Land e traz uma limonada, e também...
Nem deu tempo de terminar o pedido; Melina Barbosa já puxou Luísa Viana pelo braço e as duas saíram.
Luísa Viana olhou para Melina Barbosa e disse:
— Melina, ela nem terminou de pedir...
— Melina, será que não pegamos pesado com ela?
Melina Barbosa respondeu:
— Se ela tem coragem de te pedir esse favor sem parar, por que você não pode agir assim uma vez? Você também tem seu trabalho, sua vida. Se for mesmo no caminho, tudo bem ajudar. Mas se não for, por que se sacrificar para agradar os outros? Ninguém tem essa obrigação!
As palavras de Melina Barbosa deixaram sem graça todos aqueles que só sabiam se aproveitar dos outros. Ficaram de cabeça baixa, sem coragem de retrucar.
No fundo, eles só tinham coragem de abusar de quem parecia mais fácil. Como Luísa Viana nunca reclamava, sempre virava alvo.
Mesmo sendo tão próxima de Melina Barbosa, Luísa Viana nunca tinha recorrido à amiga para resolver esses problemas, por isso todos já estavam acostumados a tratá-la assim.
Ninguém esperava que, naquele dia, Melina Barbosa fosse tomar as dores de Luísa Viana.
Melina Barbosa então disse:
— Você, entra aqui comigo, por favor.
Luísa Viana fez um leve aceno de cabeça e seguiu Melina Barbosa até a sala dela, de olhos baixos, achando que iria levar uma bronca.

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