— Melina, me desculpa, da próxima vez eu... — Luísa Viana baixou a cabeça, fitando a ponta dos próprios sapatos, sem saber como continuar.
Por um descuido, quase esbarrou em Melina Barbosa.
Melina parou, virou-se para Luísa e perguntou:
— Sobre aquele concurso de design de joias que vai ter daqui a alguns dias, você quer participar?
— Eu... eu? — Luísa ficou paralisada, achando que Melina fosse repreendê-la; jamais esperava aquela pergunta.
Ela balançou a cabeça, respondendo:
— Eu não me inscrevi.
— E por que não? — quis saber Melina, olhando-a com atenção.
— O nosso departamento de design tem tanta gente talentosa... Não acho que seria a minha vez, não é? — Luísa respondeu, um tanto acanhada.
— Ninguém se inscreveu — informou Melina, direta.
Luísa ficou surpresa.
— Ninguém? Por quê?
Se ninguém do departamento estava disposto, então ela se sentia ainda menos à vontade para se candidatar.
— Porque eles não aguentam a pressão, acham que vão perder — explicou Melina.
— E eu... — Luísa começou, hesitante.
— Você também tem medo de perder? — Melina a interrompeu, observando-a.
Luísa balançou a cabeça:
— Não é isso. Eu só tenho receio porque somos próximas, e se você acabar me favorecendo, os outros vão reclamar.
Melina deu um sorriso contido.
— Por que você sempre se preocupa tanto com o que os outros vão pensar? E será que eles se importam com os seus sentimentos?
— Eu... — Luísa mordeu o lábio, sabendo bem como era, mas seu jeito sempre fora assim, gentil e maleável.
— Tudo bem, não dá para mudar de uma hora para outra — Melina fez uma pausa e continuou: — Só me responde: você quer participar dessa competição?

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