Dona Lu fazia aquela pergunta porque já tinha vendido mais de uma mulher.
Esse era o seu negócio. Aqueles que tentaram acusá-la nunca tiveram provas suficientes para incriminá-la.
Quem diria que, dessa vez, teria encontrado uma pedra no caminho?
— Estou falando daquela que você vendeu hoje, a amiga da sua filha — disse Gustavo Ferreira.
— Ah, você fala dela. — Dona Lu estalou a língua com desdém, pensando que, se Melina Barbosa não estivesse acompanhada de um segurança, teria conseguido mais dinheiro. Por conta da pressa, vendeu-a por apenas dez mil reais.
Melina Barbosa era tão bonita, com a pele iluminada e aparência jovem, poderia ter rendido muito mais.
Além disso, Dona Lu acreditava que aquele rapaz ao lado de Melina Barbosa era seu namorado. Jamais imaginou que a moça ainda tivesse um marido!
Parecia que Melina também não era de se apegar a uma só pessoa. Ainda bem que a vendeu logo.
— Onde ela está?
Gustavo Ferreira agarrou Dona Lu pelo colarinho, levantando-a junto com a cadeira.
Ela ficou sem ar, sufocando, mas continuou em silêncio.
Vendo o rosto dela ficando roxo pela falta de oxigênio, Gustavo soltou-a no último instante, antes que perdesse totalmente a consciência.
Dona Lu inspirou profundamente, arfando. De cabeça baixa, levantou os olhos, fitando Gustavo de cima para baixo. Um leve sorriso surgiu no canto da boca, o olhar brilhava de satisfação.
— Seria melhor você me matar — disse ela, respirando com dificuldade. — Só assim nunca saberá onde está sua esposa.
— Maldita!
O olhar de Gustavo escureceu. Se Dona Lu queria morrer, ele não se opunha a torturá-la aos poucos.
Gustavo tirou do bolso um pequeno canivete e fez um corte no pulso de Dona Lu.
No início, ela não sentiu nada — a lâmina era afiada demais. Só quando a pele se abriu e o sangue começou a escorrer, a dor veio, lenta e crescente.
Ninguém sabe quanto tempo se passou, mas Dona Lu começou a se sentir cada vez mais fraca, como se todas as forças estivessem sendo drenadas. Achou que estava à beira da morte.
Desesperada, começou a se debater:
— Me solta! Me solta! Eu falo! Eu conto tudo!
Samuel Palmeira, assistindo à cena, não pôde deixar de admirar a astúcia de Gustavo Ferreira.
Aquela estratégia psicológica era um jogo de mestre.
O corte no pulso de Dona Lu era superficial, sangrava pouco e logo começaria a cicatrizar, sem perigo real.
Na verdade, Gustavo mandara colocar um cubo de gelo sobre a bacia. À medida que derretia, a água pingava na bacia, produzindo o som que aterrorizava Dona Lu.
Vendando os olhos dela e mantendo o silêncio absoluto, o medo do desconhecido aumentava ainda mais seu desespero.

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