Gustavo Ferreira percebeu que já era hora e entrou no cômodo.
Ao ouvir passos, Dona Lu imediatamente gritou, nervosa:
— Pode me soltar, eu falo tudo agora!
Gustavo Ferreira respondeu com frieza:
— Fale.
O medo da morte fez Dona Lu confessar sem hesitar.
— Nós tiramos a pessoa pelo túnel embaixo da cama. Agora é o Luan que está encarregado de levá-la para ser vendida. Não sabemos para onde eles foram.
As mãos de Gustavo Ferreira se fecharam em punhos, os tendões saltando sob a pele clara e marcada.
Que droga!
Ele sabia que Dona Lu não estava mentindo, mas nem ela mesma sabia para onde Melina Barbosa tinha sido levada. Como iria encontrá-la?
…
Quando Melina Barbosa acordou, estava deitada em uma cama.
Tentou se mexer e percebeu que seus pulsos e tornozelos estavam presos por correntes de ferro.
Chamou em voz alta:
— Tomás Cruz?
Nesse momento, ouvindo o barulho, uma mulher abriu a porta e entrou:
— Nora, você acordou?
Nora?
Melina Barbosa franziu o cenho, confusa. Quando havia se tornado nora daquela mulher?
— Quem é você?
— Sou sua sogra.
A mulher usava um chapéu de palha, o rosto marcado de sol e chuva, a pele escura e as roupas já gastas, cheias de remendos, com aquele jeito típico de quem vive no interior.
Melina Barbosa respondeu com desconfiança:
— Eu não te conheço. Você não é minha sogra.
— Esposa…
Um homem entrou em seguida, sujo dos pés à cabeça, a calça molhada e manchada de amarelo, exalando um cheiro difícil de descrever.
Melina Barbosa olhou para Pedro, que ainda usava as calças molhadas, e percebeu que ele claramente tinha problemas mentais. Ele realmente entendia o que significava casar e ter filhos?
Ela se lembrou da mãe biológica de Daniel Barbosa, imaginando o desespero daquela mulher, presa tantos anos em condições subumanas.
Antes, Melina Barbosa só sentia pena. Agora, sentia na pele o mesmo sofrimento.
Nunca imaginou que algo assim pudesse acontecer com ela.
Sofrer ali era pior do que morrer.
— Prefiro morrer a me submeter!
Gritou, atirando-se contra a parede ao lado.
A mulher jamais pensou que Melina Barbosa fosse tão determinada, e ficou boquiaberta quando a viu jogar o pescoço contra a parede.
Com um estrondo, a cabeça de Melina Barbosa bateu na parede, abrindo um corte profundo. Ela desmaiou na mesma hora.
Pedro, ao ver o sangue, saiu correndo e gritando em pânico:
— Sangue! Está sangrando!
— Pedro, não fuja! Vá chamar o Veterinário Paulo!

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