— Ficou achatado, esmagado — Pedro mostrou uma expressão triste.
Pelo entendimento de Melina Barbosa, o pai de Pedro provavelmente havia sido esmagado por algum objeto pesado.
Se isso tivesse acontecido enquanto trabalhava, talvez a empresa tivesse pago uma indenização. Talvez por isso, embora a casa de Pedro parecesse tão pobre, ainda assim conseguiram gastar tanto dinheiro para comprá-la.
Por enquanto, ela estava segura. Mas e Tomás Cruz, que estava com ela? Para onde ele teria sido vendido? Será que ele corria perigo?
— Esposa — Pedro chamou.
Melina Barbosa, distraída, quase pensou que fosse Gustavo Ferreira a chamá-la. Ao se dar conta de que era Pedro, com aquele rosto meio bobo, ela levou um susto.
Ela apertou as mãos, tentando manter a calma, e olhou para Pedro:
— Hum? O que foi?
— Quero ouvir uma história — disse Pedro.
Melina Barbosa se recompôs e respondeu:
— Está bem.
Na manhã seguinte, uma mulher apareceu na porta. Disse que era a “dona da festa”, viera para maquiar e trocar a roupa de Melina Barbosa.
Melina resistiu, recusando-se a trocar de roupa.
A mulher ficou furiosa, levantou a mão para bater em Melina e ameaçou:
— Se você atrasar a cerimônia, vai ver só o que acontece!
— Aceite logo o seu destino. Chegando aqui, não tem mais volta. Só aceitando a realidade é que você vai conseguir ver um pouco de luz do sol.
Melina Barbosa ficou imóvel por um instante. Observou aquela mulher comum, de aparência rural, mas que usava óculos, dando-lhe um ar um tanto educado. Essa combinação contraditória despertou em Melina uma sensação estranha.
— E você? Veio para este inferno por vontade própria? — Melina perguntou com cautela.
O rosto da mulher mudou de expressão.
Depois de um tempo, ela respondeu:
— E daí se vim, e daí se não vim? Aqui, cheia de demônios ao redor, ninguém consegue escapar.
— Mas você quer sair? Tem algum jeito?
Mas Meida Lima manteve-se firme, e Melina, sem escolha, teve de assistir enquanto a outra passava uma camada grossa e branca de base, depois uma sombra assustadora, blush como bunda de macaco e, por fim, batom vermelho intenso.
Olhando para o resultado no espelho, Melina de repente sentiu vontade de agradecer a Meida Lima.
Se dependesse dela mesma, jamais teria coragem de se maquiar tão exageradamente.
Daquele jeito, não apenas ninguém se apaixonaria por ela — provavelmente até os espíritos fugiriam!
— Quer ver? — perguntou Meida Lima.
Melina, contrariada, olhou uma vez só. Não queria repetir a experiência.
— Meida Lima, já terminou? Está quase na hora! — Sara Santos entrou no quarto de forma brusca.
Nesse instante, Meida Lima, rápida, colocou o véu vermelho na cabeça de Melina.
— Pronto.
Sara Santos estendeu a mão para levantar o véu de Melina, mas Meida Lima segurou seu braço e disse:
— Não atrase o momento certo. E depois que o véu está posto, só o noivo pode levantar. Não é você que vai se casar, não é? Se der azar, não venha reclamar comigo.

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