Sara Santos estava preocupada que Pedro não soubesse como dormir com uma mulher, então, às escondidas, pegou um DVD emprestado com alguém da vila e colocou para Pedro assistir.
No começo, Pedro achou que a mãe tinha preparado alguma novela interessante para ele. Mas, assim que ligou, viu na tela duas pessoas sem roupa fazendo coisas impossíveis de descrever.
Se a imagem já não era boa, o som era ainda pior.
Pedro ficou assustado, desligou a TV imediatamente e ainda reclamou que era nojento.
Agora, toda vez que ouvia falar em dormir, Pedro sentia nojo.
A mãe dizia que era divertido, mas ele não achava graça nenhuma, só sentia repulsa, muita repulsa!
Sara Santos ficou furiosa com Pedro e disse:
— Seu moleque, você faz ideia de quanto gastei para conseguir essa esposa pra você? Se não dormir com ela, como vai ter filhos?
— Criança pode nascer de uma pedra — respondeu Pedro, sério.
O canto dos lábios de Melina Barbosa se curvou levemente, e um brilho divertido passou por seus olhos encantadores.
Nos últimos dias, ela vinha contando a história de “Jornada ao Oeste” para Pedro, justamente para “lavar o cérebro” dele. Pelo visto, estava funcionando mesmo.
— Que garoto bobo, acha que é o Rei Macaco, é? — disse Sara Santos.
— Eu sou o Rei Macaco! — Pedro imitou um gesto que Melina Barbosa lhe ensinara, dizendo: — Hahaha… Toma aqui meu bastão!
Sara Santos ficou sem palavras e murmurou:
— Pirou, pirou de vez...
Sara Santos obrigou Melina Barbosa e Pedro a ficarem trancados juntos no mesmo quarto. Melina Barbosa não reclamou; pelo contrário, acenou para Pedro, dizendo:
— Pedro, vem aqui.
Pedro olhou para Melina Barbosa, balançou a cabeça e ficou pálido de medo:
— Não, não quero. Você é uma bruxa-aranha, vai me devorar!
Pedro se agachou no canto, abraçando a cabeça, tremendo dos pés à cabeça.
Melina Barbosa franziu os lábios, pensando consigo mesma que, no máximo, estaria um pouco desarrumada, mas não era motivo para Pedro se assustar tanto.
Sara Santos ficou no canto, ouvindo atrás da porta. Esperou um bom tempo sem ouvir nada, sacudiu a cabeça, apoiou-se na parede para levantar e saiu cambaleando.
Os olhos de Gustavo Ferreira se encheram de decepção.
— Entendi.
Samuel Palmeira se agitou na hora:
— Onde? Onde ela está?
Renato Oliveira informou:
— No posto de saúde do distrito. Ela tentou se matar várias vezes, e na última vez que fugiu, foi atropelada. Está em coma. Achando que ela ia morrer, deixaram-na jogada atrás do morro. Mas o pessoal da equipe a encontrou e salvou.
O sorriso de Samuel Palmeira sumiu. Ele fechou os punhos com tanta força que quase perfurou as palmas das mãos.
— Malditos! Preciso vê-la.
Samuel Palmeira deu alguns passos apressados.
Então, como se lembrasse de algo, virou-se para Gustavo Ferreira e disse:
— Jaime, se conseguimos encontrar a Sofia Palmeira, logo também vamos achar a Melina Barbosa.

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