A identidade de Melina Barbosa era especial; levá-la ao posto de saúde da região estava fora de questão. Só restava chamar o veterinário da vila para examiná-la.
Muitas pessoas dali, quando não se sentiam bem, também recorriam ao veterinário local. Ninguém morria disso, além de ser mais barato e conveniente.
Pedro saiu correndo em um piscar de olhos. Sara Santos foi atrás dele:
— Pedro, os sapatos, a roupa, vista-se direito antes de sair!
Com a neve caindo desse jeito, como podia se arriscar lá fora sem estar devidamente vestido?
Sem pensar muito, Sara Santos pegou um agasalho e jogou sobre os ombros de Pedro, insistindo para que calçasse os sapatos também.
Pedro mal teve tempo de se arrumar antes de sair às pressas.
Passados uns dez minutos, Pedro voltou carregando alguém nas costas.
— Isso... quem é...?
— Rápido, examine minha esposa — pediu Pedro.
O veterinário estava com uma expressão sofrida, os óculos ainda embaçados de tanto frio.
Ele próprio estava doente, mal conseguia se manter em pé. Mesmo assim, fora arrancado da cama por Pedro e trazido até ali.
— Você, menino, eu nem trouxe minha maleta de remédios, como vou examinar alguém assim?
— Mesmo que examine, não posso receitar nada — resmungou o veterinário.
Pedro, angustiado, só queria que Melina Barbosa fosse atendida logo e nem pensou nesses detalhes.
Nesse momento, Gustavo Ferreira já havia chegado nas redondezas.
Ele procurou pelo vilarejo inteiro; ninguém quis contar onde estava Melina Barbosa, tampouco quem havia se casado recentemente.
O povo dali era surpreendentemente unido.
Gustavo Ferreira estava prestes a desistir e buscar em outra vila.
No entanto, acabou cruzando, por acaso, com o mesmo senhor que encontrara no primeiro dia em que chegara à região.
Mas, naquela ocasião, o idoso garantira nunca ter visto Melina Barbosa.
Agora, porém, o homem estava ali e, ao vê-lo, seus olhos demonstraram um instante de nervosismo.
Foi só aí que Gustavo Ferreira se deu conta de que Melina Barbosa talvez estivesse escondida naquela vila.
Mas jamais contaria isso a Gustavo Ferreira.
— Nunca vi! — respondeu Sara Santos.
— Tem certeza? — a voz de Gustavo ficou mais fria, o olhar mais penetrante.
O coração de Sara Santos disparou, mas ela se manteve firme:
— Nunca vi, não.
Ela completou:
— Se tiver provas, pode levar. Se não tem, pare de inventar histórias!
O olhar de Gustavo Ferreira escureceu. Foi quando os homens que faziam a busca na casa de Sara Santos voltaram.
— Não encontramos ninguém.
— Ninguém? — Gustavo Ferreira não acreditava.
Sentia, com todas as forças, que Melina Barbosa estava por perto; não podia aceitar que não a encontrassem.

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