— Finalmente acordou!
Sara Santos entrou no quarto, lançou um olhar frio para Melina Barbosa e disse:
— Você ficou delirando a noite inteira com febre, falando o nome de alguém sem parar. Não deixou ninguém dormir!
— Falando, falando... Falei besteira, foi?
Melina Barbosa olhou para ela, sem saber o que responder.
Ela estava doente, chamando por alguém sem consciência, como poderia saber o que tinha dito?
— Se já está melhor, saia logo do meu caixão! — Sara Santos resmungou, irritada. — Isso aqui é o que vou usar quando bater as botas, não quero que suje!
Melina Barbosa pensou que ela mesma já achava aquele lugar carregado de más energias.
Tentou se levantar, mas sentiu o corpo sem forças. Mal conseguiu se sentar e quase caiu de novo.
— Amor...
Pedro estendeu a mão para Melina Barbosa.
Ela, porém, não queria que Pedro a tocasse. Sorriu sem jeito, afastou a mão dele discretamente e, forçando-se, segurou nas laterais do caixão, tentando ficar de pé.
— Estou bem.
Mal se preparou para sair, esqueceu completamente das correntes presas aos seus tornozelos, que limitavam seus movimentos.
Num descuido, tropeçou e caiu de peito no chão.
— Ai... — Melina Barbosa respirou fundo, sentindo a dor.
— Mãe, ela se machucou! Olha o tornozelo dela! — Pedro gritou, apontando para o pé de Melina Barbosa.
As correntes tinham ferido tanto seu tornozelo que a pele já estava em carne viva.
Mas Melina Barbosa nunca reclamara.
Sara Santos olhou para o tornozelo de Melina Barbosa, as sobrancelhas franzidas.
— Bem feito! — resmungou. — Se ela fosse mais comportada, eu nem precisava manter as correntes.
Quando voltou, Melina ainda caminhava devagar, arrastando-se.
Sara Santos balançou a cabeça, pensando que uma teimosia assim beirava a estupidez.
Mas, no fundo, achou até melhor assim.
Destrancou a corrente do tornozelo de Melina, que até conseguiu andar um pouco mais rápido, mas, para alguém saudável, ainda era lentidão demais.
— Está se fazendo de coitada? Anda logo! — apressou Sara Santos.
— Não adianta apressar, meu pé está machucado. Não consigo andar rápido — respondeu Melina Barbosa.
Chegando ao quarto, sentou-se ofegante.
Aquele pequeno trajeto quase a matara de cansaço.
Sara Santos, vendo a situação, achou melhor não dizer mais nada.
— Pedro, venha aqui um instante...

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