— Mãe, para quê?
Pedro, meio contrariado, acabou saindo.
— Você não precisa ficar sempre atrás dela — reclamou Sara Santos, visivelmente aborrecida.
Pedro não entendeu e questionou:
— Por quê?
— Você... — Você age como um cachorrinho grudado nela!
Mas Sara Santos resolveu não continuar. Por fim, apenas disse:
— Falei para não seguir, então não siga. Vai lá, me ajuda a levar o gado para o pasto.
Pedro fez cara feia:
— Não quero, quero ouvir a Melina contar histórias.
Agora, Pedro não queria fazer mais nada, só pensava em ouvir as histórias de Melina Barbosa.
Melina Barbosa também tinha tido febre na noite passada. Estava exausta e sem ânimo para contar qualquer história.
— De jeito nenhum! — disse Sara Santos. — Casou e esqueceu da mãe, é? Já faz tempo que você não me ajuda, não acha certo largar tudo nas minhas costas, né?
Pedro percebeu que a mãe estava realmente brava. Apressou-se em responder, gesticulando:
— Não é isso, mãe, eu vou ajudar, sim.
Ele hesitou, olhou para Melina Barbosa com um olhar de quem não queria se afastar:
— Mas eu queria tanto ouvir uma história dela agora...
Melina Barbosa disse:
— Espera você voltar do pasto, aí eu conto. Também queria contar agora, mas...
Pedro pensou um pouco e sugeriu:
— Se você for comigo, pode me contar durante o caminho.
A respiração de Melina Barbosa ficou mais lenta de repente.
Na verdade, ela dizia isso de propósito, só para colocar Pedro em apuros. Queria ver se Sara Santos cederia.
Ela queria, aos poucos, quebrar a desconfiança de Sara Santos.
Sara Santos respondeu na hora:
— Nem pensar, de jeito nenhum!
Melina Barbosa tinha acabado de soltar a corrente de ferro e Sara Santos não confiava nem um pouco em deixá-la solta por aí.
— Mãe, eu quero sair! Quero ouvir história!
Sara Santos não cedeu, brigando com Pedro e mandando-o sair logo.
— Já sei!
— Vai lá, por favor, estou com muita sede — disse Melina Barbosa.
— Vou agora! Mas você vai contar a história, hein?
— Vou sim.
Pedro saiu correndo e Melina Barbosa sentou-se na cama, o coração disparado.
Será que Pedro conseguiria mesmo encontrar aquele remédio?
Logo Pedro voltou com um copo d’água.
Melina Barbosa pegou, fingiu que bebeu um pouco e deixou o copo ao lado.
A garganta estava ardendo, mas ela suportou a dor e começou a contar a história para Pedro.
De vez em quando, Melina Barbosa fingia beber mais um gole e depois estendeu o copo para Pedro:
— Você também está com sede, toma um pouco.
Pedro, sem desconfiar de nada, pegou o copo e bebeu.
Franziu a testa e murmurou:
— Ué, não está doce...

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