Melina Barbosa assentiu com a cabeça:
— Fique tranquilo, se realmente acontecer alguma coisa, serei a primeira a sair.
— Certo.
Quando Gustavo Ferreira e Melina Barbosa chegaram ao Continente S, receberam uma notícia que os deixou atônitos.
Depois que aquelas pessoas descobriram a identidade de Tomás Cruz, já o haviam transferido para outro lugar.
Porém, ao mesmo tempo, receberam outra informação.
Talvez Tomás Cruz tivesse sido colocado em um leilão, como se fosse uma mercadoria qualquer.
Gustavo Ferreira e Melina Barbosa não queriam expor suas identidades; sem um convite, não poderiam participar do leilão.
— Nem pagando conseguimos comprar a entrada? — indagou Melina.
— Aqueles ali não precisam de dinheiro. Os participantes deste leilão são todos poderosos e excêntricos, o que eles querem é algo diferente — respondeu Gustavo.
— E mesmo que alguém quisesse vender o convite, ninguém ousaria correr esse risco. Se os organizadores descobrirem, a punição é brutal.
Melina franziu levemente a testa.
— Então não há nenhuma outra forma de participar?
— Há, sim. A não ser que você consiga oferecer algo realmente valioso aos organizadores. Se eles se interessarem, talvez lhe deem um convite e levem o seu objeto a leilão. A divisão do valor é de um para nove.
— Eles ficam com nove e a gente com um? — confirmou Melina.
— Exatamente.
— É uma forma de provar sua lealdade. Se você se importar com essa diferença, melhor nem se envolver com eles.
Melina, pensativa, comentou:
— O dinheiro não é o problema. Só estou curiosa: afinal, o que eles querem? Você consegue nos mostrar a lista das coisas que costumam leiloar?
— Claro, sem problemas.
Ao analisarem a lista fornecida, Melina Barbosa e Gustavo Ferreira ficaram verdadeiramente chocados.
Ambos imaginavam que apenas bens materiais seriam leiloados. No entanto, jamais pensaram que até órgãos humanos estavam entre os itens.
Havia tantas coisas absurdas que era melhor nem comentar.
Melina sorriu:
— Na verdade, o que quero pintar é justamente aquela obra diferente das outras. Eu e o mestre Bela Tamoio pintamos juntos.
— Na época, o mestre estava com a mão machucada, mas tinha prometido uma obra a um amigo. Estava angustiado, viu que eu estava pintando e pediu minha ajuda. No fim, aquela pintura acabou sendo vendida por um preço altíssimo.
Gustavo riu:
— Se aquele colecionador souber disso, não sei se ri ou chora.
Melina respondeu, sorrindo:
— Bem, ter uma obra da futura estrela da arte também não é ruim.
— Sim, futura estrela. É uma honra — disse Gustavo.
Hã?
Naquele momento, Melina só pensava na pintura, sem reparar na expressão de Gustavo.
Logo depois, Melina Barbosa começou a pintar com o papel, pincéis e tintas recém-comprados.

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