Original em português brasileiro:
No começo, Gustavo Ferreira tinha certa confiança em Melina Barbosa, mas não era muita.
Afinal, a cada ano, tantos se inscreviam no curso de artes, mas poucos conseguiam ter sucesso de verdade. Tornar-se tão famoso quanto o mestre Bela Tamoio, então, era algo que só ele mesmo havia alcançado!
Gustavo achava que, se Melina Barbosa conseguisse pintar um quadro aceitável para passar despercebida, já seria um feito considerável, mas não esperava muito além disso.
No entanto, à medida que o quadro foi tomando forma sob os traços de Melina Barbosa, Gustavo Ferreira ficou boquiaberto.
Se não tivesse visto com os próprios olhos Melina Barbosa criar toda a obra, ele juraria que aquele quadro fora pintado pelo próprio mestre Bela Tamoio!
— E então? — Melina Barbosa largou o pincel e olhou para Gustavo Ferreira, esperando ansiosa por sua resposta.
Gustavo Ferreira respondeu:
— Se eu não tivesse visto você terminar esse quadro, realmente acharia que foi o mestre Bela Tamoio quem pintou.
Melina Barbosa sorriu, divertida:
— Ficou tão parecido assim?
Gustavo fez que sim com a cabeça, o semblante sério:
— Ficou.
Melina Barbosa brincou:
— Pelo visto, se algum dia me faltar inspiração e eu não conseguir mais criar, ainda posso ganhar a vida vendendo cópias.
Gustavo Ferreira replicou:
— Não precisa, eu cuido de você.
Melina Barbosa piscou e respondeu:
— Isso não pode! Quem é que reclama de ganhar dinheiro? Depois, seu dinheiro vai ser meu, e o meu dinheiro continua sendo meu.
Gustavo Ferreira concordou:
— Eles são espertos, mudam o local toda vez, nunca acontece no mesmo lugar.
— Com o convite em mãos, vocês esperam pelo aviso. Só na véspera do leilão eles vão informar o endereço.
— Certo. Chegando lá, se perceberem qualquer movimentação estranha, fogem na hora, e todos os lances serão anulados.
O clima entre Gustavo Ferreira e Melina Barbosa ficou pesado.
No início, eles pensaram que, descobrindo o local do leilão, se não conseguissem arrematar, poderiam simplesmente libertar Tomás Cruz à força.
Agora viam que isso era inviável.
— Parece que só nos resta usar dinheiro — disse Melina Barbosa.
— Tomás Cruz é seu amigo. Não importa quanto custe, vamos salvá-lo. Dinheiro se ganha de novo, mas vidas não voltam — afirmou Gustavo Ferreira com firmeza.
Melina Barbosa assentiu, séria. Não sabia o porquê, mas, pela primeira vez, sentia-se tão nervosa — mais até do que quando ela mesma precisou fugir.

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