Samuel Palmeira entregou o celular para Sofia Palmeira. No começo, Sofia achou que Samuel estava passando alguma tarefa de trabalho para ela e, recém-desperta, ficou indignada com a ideia de já ter que assumir responsabilidades. Interiormente, praguejou mentalmente contra todas as gerações da família de Samuel.
Foi só ao ver Melina Barbosa na tela do telefone que Sofia percebeu que talvez aquilo não fosse um sonho.
— Meli... — Assim que viu Melina, os olhos de Sofia se encheram de lágrimas, que finalmente escorreram pelo seu rosto.
Ela disse, soluçando:
— Achei que nunca mais fosse te ver nesta vida, Meli... — e desabou em prantos.
Melina, também com os olhos vermelhos, limpou discretamente as lágrimas do canto dos olhos e respondeu:
— Já passou, Sofia. Está tudo bem agora, está tudo bem com todas nós.
Sofia parou por um instante, confusa. Não entendeu por que Melina dizia que todas estavam bem. Não seria ela, Sofia, a única que precisava de consolo naquele momento?
— Meli, onde você está? — perguntou Sofia, a voz embargada. — Sinto tanta falta de você.
Ela queria dizer tantas coisas para Melina, mas a presença de Samuel ao lado a obrigou a conter-se.
Melina respondeu:
— Ainda estou viajando, vai demorar um pouco para eu voltar.
Sofia insistiu:
— Então volte logo, por favor. Estou com saudades. E do Tomás Cruz também.
— Está bem — assentiu Melina, com ternura.
Conversaram mais alguns minutos antes de Melina desligar a chamada.
Assim que terminou, Melina se jogou nos braços de Gustavo Ferreira, chorando copiosamente e molhando a camisa dele com suas lágrimas. O peito de Gustavo ficou encharcado.
Com um sorriso gentil, Gustavo comentou:
— Olha só, agora minha camisa ficou toda molhada com suas lágrimas.
Meio envergonhada, Melina pediu desculpas:
— Desculpa, Gustavo! Se estiver incomodado, eu compro dez camisas novas para você.
Gustavo riu, divertido com a espontaneidade dela:
Ao ver Melina aceitar o alimento, Gustavo ficou satisfeito.
Logo a canja chegou. O caldo estava cremoso, os filés de peixe finos, sem espinhas, misturados ao arroz, com amendoim e tiras de gengibre, exalando um aroma suave e sem cheiro forte de peixe.
Melina, que normalmente adorava frutos do mar, já estaria com água na boca diante daquele prato. Mas, naquele momento, não conseguia sentir vontade de comer.
— Ainda está quente, espera esfriar um pouco — disse Gustavo.
— Está bem.
Nesse instante, o telefone de Gustavo tocou. Era Samuel Palmeira.
Gustavo deu uma colherada da canja para Melina e, em seguida, atendeu à ligação de Samuel.
Ele não percebeu que, assim que engoliu o caldo, o rosto de Melina mudou drasticamente. Engolindo rapidamente, ela saiu correndo até o banheiro, onde cuspiu a canja e vomitou um pouco do ácido estomacal.
Que sensação horrível!
Mesmo sem ter comido quase nada, o desconforto era insuportável.
De repente, um clarão branco atravessou sua mente.

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