— Irmão, ainda acha que sou criança? Já completei dezoito anos até pelo calendário lunar! — disse Francisco Palmeira, com um sorriso maroto.
— Mas no seu documento você ainda não tem idade suficiente. Não pode beber! Não quero voltar pra casa e ser repreendido. — Samuel Palmeira respondeu, sério.
— Tá bom então.
Francisco Palmeira fez uma cara de resignação, mas por dentro se alegrava secretamente.
— Você voltou, os pais sabem disso? — perguntou Samuel Palmeira.
Ele até pensou em sair, mas ao encontrar Francisco Palmeira ali, perdeu o ímpeto de ir embora.
Francisco Palmeira balançou a cabeça, como uma criança que aprontou. — Não sabem, voltei escondido.
Samuel Palmeira passou a mão pela testa, expressando todo seu desânimo. — Eu já imaginava...
Era sempre assim: fazia o que queria, no ritmo próprio, sem se importar com ninguém.
— Eu voltei dessa vez porque...
Francisco Palmeira olhou para Samuel Palmeira, mas nem teve tempo de terminar a frase.
— Por que você é tão impulsivo? Sempre foi assim, faz o que quer, nunca pensa nos outros! — Samuel Palmeira falou, cerrando os punhos. O copo em sua mão estalou e se quebrou, fazendo com que sangue escorresse entre seus dedos — mas ele não pareceu sentir dor.
Francisco Palmeira, assustado, agarrou a mão do irmão: — Irmão, sua mão...
Antes que pudesse terminar, Samuel Palmeira puxou a mão e se afastou: — Não precisa cuidar de mim. Cuide de si mesmo.
Francisco Palmeira olhou magoado para Samuel Palmeira, mas as palavras ficaram presas na garganta: — Eu...
Samuel Palmeira virou-se, abriu a porta e saiu.
Apressou o passo, quase fugindo dali.
Francisco Palmeira quis correr atrás, mas foi chamado por Renato Oliveira: — Francisco, espera aí! Quanto tempo, não vai conversar um pouco com a gente?
Ele olhou na direção da porta, depois para Renato Oliveira, e por fim para Gustavo Ferreira.
Sofia Palmeira levou um susto e, ao virar a cabeça, viu Samuel Palmeira entrando, parecendo um galo derrotado.
Seu olhar caiu imediatamente sobre a mão ensanguentada do irmão.
Sangue. Muito sangue!
Será que ele... matou alguém?
Fugindo da justiça, então a situação fica ainda pior!
— O que... o que você está querendo? — perguntou ela, assustada.
Samuel Palmeira se aproximou de Sofia Palmeira, passo após passo.
Sofia Palmeira engoliu em seco, nervosa: — Chefe... o dia tá bonito, né? Você...
Por dentro, Sofia Palmeira se xingava: "Que boca é essa? Logo eu, que sempre tenho resposta pra tudo, agora não consigo dizer nada!"

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