— Sofia Palmeira, na verdade, a gente não escolhe os pais, mas a vida é só sua. Se quiser, pode simplesmente ignorá-los e viver do seu jeito. — Antes de sair, Samuel Palmeira disse essas palavras para Sofia Palmeira.
Sofia Palmeira olhou para Samuel Palmeira, sentindo uma sensação estranha atravessar seu coração.
Parecia que Samuel Palmeira não estava falando exatamente para ela, como se aquelas palavras fossem destinadas a outra pessoa.
De qualquer forma, Sofia Palmeira ainda sentia que devia agradecer a Samuel Palmeira.
— Obrigada. Eu vou me esforçar. — disse ela.
Samuel Palmeira inclinou levemente a cabeça.
Gustavo Ferreira se aproximou, deu um tapinha no ombro de Samuel Palmeira.
Samuel Palmeira virou-se para Gustavo Ferreira, sorriu levemente e falou:
— Estou bem.
Gustavo Ferreira respondeu de maneira contida:
— Certo.
Na verdade, o ser humano é mesmo curioso. Todos entendem os motivos, mas agir de acordo com eles é outra história.
Gustavo Ferreira disse:
— Se nesses dias você não quiser ficar em casa, pode ir para um dos meus apartamentos. Tenho muitos imóveis.
Gustavo Ferreira sabia que, independentemente do apartamento onde Samuel Palmeira ficasse, aquelas pessoas acabariam descobrindo. Mas, se Samuel Palmeira estivesse em um imóvel seu, mesmo que descobrissem, não teriam coragem de aparecer.
Em respeito à sua influência, ninguém ousaria ultrapassar esse limite.
Samuel Palmeira sorriu, mas seus olhos estavam sem brilho. Disse:
— Não precisa. Fugir por um tempo não resolve nada. Melhor encarar tudo de frente.
Gustavo Ferreira falou:
— De qualquer forma, se precisar de algo, é só me avisar.
Samuel Palmeira acenou com a mão:
— Ok, já entendi.
Virou-se, entrou no carro e foi embora.
Sofia Palmeira observou Samuel Palmeira se afastar, sentindo-se um pouco confusa.
Virou-se na direção de Gustavo Ferreira, querendo fazer uma pergunta, mas sem saber por onde começar.
— Melhor ser um pouco mais cara de pau. O importante é ser feliz, não precisa se preocupar tanto com os outros.
Sofia Palmeira assentiu com força. Não é à toa que eram melhores amigas — tinham o mesmo jeito de pensar.
— Sofia Palmeira, você não tem coração! — Josué Palmeira veio cambaleando em sua direção, bufando de raiva. — Se eu soubesse que você ia ser assim, teria acabado com você ainda bebê!
Ao lado, Ronaldo Palmeira também demonstrou indignação:
— É isso mesmo!
Sofia Palmeira quase riu de tanta raiva desses dois sanguessugas.
De onde vinham eles com tanta ousadia para julgá-la?
Antes que pudessem chegar perto de Sofia Palmeira, foram barrados pelos seguranças de Gustavo Ferreira, restando-lhes apenas gritar de longe.
— Sofia Palmeira, você não tem coração!
Sofia Palmeira olhou para eles, cerrando os punhos até quase machucar as palmas das mãos.
Respondeu em tom frio:
— Eu não tenho coração? Se isso é não ter coração, então Ronaldo Palmeira tem ainda menos. Desde pequena, quanto dinheiro levei para casa? Vocês sabem muito bem. Eu só sabia trabalhar, ele só sabia gastar. Então, para vocês, sou uma boa filha e boa irmã só quando trago dinheiro. Se não tenho mais, viro ingrata?

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