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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 101

O corredor do Restaurante Horizon Zenith era coberto por um espesso carpete cinza escuro, silencioso ao pisar. As arandelas de cristal lançavam um halo de luz suave, iluminando de forma vaga as pinturas abstratas na parede. Havia um leve aroma de cedro no ar. Deveria ser relaxante, mas o coração de Berta batia cada vez mais rápido.

As risadas e conversas de dentro da sala soavam vagamente — o inglês fluente de Adilson, a risada alegre do Sr. Steiner e o tinir das taças de vinho. Tudo parecia estar indo muito bem.

Mas Berta sabia que o comprimido estava silenciosamente se dissolvendo e fazendo efeito dentro do corpo de Adilson.

Ela estava sentada no sofá no canto da sala, segurando uma xícara de chá já fria nas mãos, com as pontas dos dedos geladas. O tempo passava minuto a minuto, e seu olhar vagava incontrolavelmente em direção a Adilson. O perfil dele sob a luz estava especialmente nítido. Havia a mesma expressão de foco com a qual ela estava acostumada em seu rosto, mas as orelhas dele pareciam um pouco avermelhadas, de um jeito quase imperceptível.

O efeito começou?

Ela não tinha certeza. O barman havia avisado que a pílula azul demorava cerca de meia hora para surtir efeito por completo. Os sintomas iniciais eram apenas um leve aumento da temperatura corporal e batimentos cardíacos um pouco mais rápidos, difíceis de notar. Uma sensação de dependência forte e real e um estímulo emocional atingiriam o pico depois de uma hora.

Mas ela não podia esperar.

As palmas das mãos começaram a suar novamente e seu estômago se contraiu. Berta se levantou abruptamente.

Adilson e o Sr. Steiner olharam para ela ao mesmo tempo.

— Com licença — ela forçou um sorriso, com a voz um pouco tensa. — Vou ao banheiro.

Adilson assentiu. O olhar dele permaneceu no rosto dela por um momento, e logo voltou a conversar com Steiner. Seu olhar estava calmo e não demonstrava nenhuma anormalidade.

Berta saiu da sala quase como se estivesse fugindo.

O corredor estava vazio. Ela caminhou rapidamente em direção ao banheiro com seus saltos altos. O som abafado dos saltos batendo no tapete sobrepunha-se às batidas frenéticas do coração. Ao empurrar a pesada porta de madeira entalhada do banheiro, um ar frio a atingiu. A mulher no espelho estava pálida, com suor frio escorrendo pela testa.

Ela abriu a torneira e a água gelada lavou seus pulsos. As pontas dos dedos ainda tremiam levemente de forma incontrolável.

— Berta, acalme-se. — Ela olhou para si mesma no espelho e murmurou. — Você já chegou até aqui. Não há como voltar atrás. Contanto que você passe por esta noite, tudo ficará bem. A posição de Sra. Ferreira e o futuro da família Ferreira serão todos seus.

Ela se inclinou e bateu a água fria no rosto. As gotas de água fria escorregaram por suas bochechas como lágrimas, mas sem qualquer calor.

— O que Tereza significa? Apenas algo do passado. E quanto a Caio Mendes? Não passa de um homem que a recebeu por compaixão. — A voz dela foi ficando cada vez mais baixa, porém mais impiedosa. — Quando eu engravidar de Adilson e ocupar meu lugar ao seu lado, todos vocês... vão ter que me respeitar de verdade.

Uma teimosia quase louca apareceu nos olhos da mulher no espelho. Ela respirou fundo, tirou o pó compacto da bolsa e retocou a maquiagem com cuidado, encobrindo aquele suor frio e o pânico debaixo do pó fino. Reaplicou o batom, em um tom suave, condizente com a imagem gentil que ela sempre criara.

Depois de arrumar a aparência, ela treinou o sorriso diante do espelho — a curvatura dos cantos dos lábios, a suavidade dos olhos. Todos os detalhes tinham de ser impecáveis.

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