Vitor olhou para o rosto calmo dela, com um olhar complexo.
Depois de muito tempo, ele suspirou: — Tudo bem. Cada um tem suas próprias ambições.
Ele recostou-se na cadeira, pegou o chá que já estava frio e bebeu tudo de uma vez.
Tereza viu o arrependimento e a malícia que passaram rápido pelo rosto dele, e teve ainda mais certeza — a família Ferreira com certeza escondia muitos segredos do passado. E ela não queria se envolver com nenhum deles.
O camarote ficou em silêncio de novo.
Tereza falou de repente: — Dr. Drummond, quero lhe perguntar uma coisa.
— Pode falar.
— A Beatriz... — Tereza olhou para ele. — Você deve saber que ela gosta de você, não é?
A expressão de Vitor congelou por um momento.
Tereza continuou: — Ela ainda acha de forma ingênua que você é um bom sênior e está ajudando a fazer a ponte com entusiasmo. Dr. Drummond, você não deve estar com cabeça para romances agora, certo?
Vitor ficou em silêncio por alguns segundos e sorriu de repente, com um ar um pouco rebelde: — Não necessariamente. A Beatriz é mesmo muito fofa.
— Vitor. — Tereza o chamou pelo nome pela primeira vez, com a voz muito fria. — Não tenho interesse no seu plano de vingança e não vou interferir. Mas se você machucar a Beatriz...
Ela fez uma pausa e disse palavra por palavra: — Acho que você não quer que o seu caminho de vingança tenha obstáculos.
Quando ela disse isso, seu olhar estava calmo, mas Vitor viu uma determinação inquestionável naquela calma.
Os dois se olharam.
O ar pareceu congelar.
O sorriso rebelde no rosto de Vitor sumiu devagar. Ele endireitou o corpo de novo, com uma expressão séria: — A Srta. Tereza pode ficar tranquila, não vou machucar a Beatriz. Ela... é realmente uma boa garota.
Tereza olhou para ele, sabendo que aquelas palavras podiam não ser sinceras. Vitor era muito calculista, e o aviso dela não tinha muito poder de intimidação.
Mas, pelo menos, ela deixou sua posição clara.
Bem naquele momento de confronto sutil...
A porta do camarote foi aberta de repente.
Ele bateu a porta com tanta força que ela se chocou contra a parede com um estrondo alto.
Os dois viraram a cabeça ao mesmo tempo.
Caio Mendes estava na porta.
Ele vestia um sobretudo preto e parecia exausto da viagem, com o cabelo na testa um pouco bagunçado pelo vento. Não havia expressão no rosto dele, mas seus olhos estavam frios como gelo, disparando direto para Vitor.
Depois, voltaram-se para Tereza.
Por fim, caíram sobre o broche aberto.
— Será que eu interrompi vocês dois? — Caio começou a falar com uma voz assustadoramente calma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa