Caio viu aquela figura se levantar.
Seu mundo se encolheu repentinamente; as retinas captavam apenas aquela silhueta cáqui caminhando em direção ao palco de forma clara — Tereza Viana.
Ela não andava rápido e o passo era constante, até mesmo carregando uma calma quase prudente.
Caio mal conseguia respirar. Seu coração, sempre acostumado a cálculos frios e ao autocontrole, batia forte e desordenado contra as costelas. Tum-tum, tum-tum… Cada batida era tão intensa que parecia ecoar dentro dos seus ouvidos.
Ela subiu na plataforma alta. O rosto enrugado do velho chefe floresceu com o esplendor de uma alegria puramente infantil; ele colocou de forma trêmula aquela grande coroa feita de lírios, acácia e ervas com o maior cuidado sobre a cabeça dela. As flores vivas e a folhagem verdejante contrastavam ao redor daquele rosto sem maquiagem que parecia brilhar com luz própria. Essa cena, aos olhos de Caio, foi curiosamente irreal; porém, tinha um tom sagrado de comover a alma.
Em seguida, ela pegou o microfone de madeira simples.
Primeiro falou duas palavras claramente em suaíli. A voz saindo pelos alto-falantes não era alta, mas era muito constante e nítida, trazendo uma força que acalmava a agitação.
O tradutor ao lado de Caio sincronizou em voz muito baixa, de forma quase instintiva:
— ...Muito obrigado.
Depois ela mudou para o inglês; olhou para a frente, sem procurar foco, apenas olhou para a terra e para as pessoas:
— Eu sou apenas uma médica.
O campo inteiro caiu num silêncio logo depois daquela frase. Tudo o que existia era o som do vento, apenas o gemido das bestas.
O coração de Caio, logo após a frase "Eu sou apenas uma médica", espremeu-se abruptamente, logo seguido de uma batida bem mais violenta. Viu que ela pegava um pouco de ar; e tornou a falar. Desta vez, voltou a falar no idioma suaíli; a velocidade de fala era lenta, contudo tinha uma rítmica resoluta de uma proclamação.

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