O anoitecer caiu, e as luzes se acenderam. O sedã preto de Vitor Drummond, discreto mas valioso, parou pontualmente embaixo do Escritório Vanguarda. Ele desceu do carro pessoalmente e abriu a porta do passageiro para Beatriz, que saía apressada do prédio.
— Sênior Vitor, você ainda veio me buscar pessoalmente. Isso é muito incômodo para você — disse Beatriz ao entrar no carro, com um pouco de desculpa. Ela havia tirado o terninho e a saia de trabalho do dia, vestindo agora um vestido de tricô bege com um corte impecável, coberto por um sobretudo caramelo claro, parecendo elegante e gentil.
— Não é incômodo, era caminho — Vitor sorriu suavemente, fechou a porta e voltou ao assento do motorista. Hoje ele usava um suéter de caxemira cinza-escuro de alta qualidade, com calças casuais da mesma cor. Seus óculos de armação dourada brilhavam sob a luz de leitura amarela e acolhedora no interior do carro. Ele transmitia uma aura madura e culta de acadêmico, bem diferente da imagem de sócio astuto e perspicaz do escritório, o que o tornava ainda mais agradável.
O carro fundiu-se suavemente ao tráfego. Vitor não conversou muito, falando apenas sobre assuntos leves, como um documentário jurídico que ele havia assistido recentemente ou um caso interessante de fusão e aquisição no qual Beatriz estava trabalhando. Ele conversava de uma forma muito agradável e reconfortante. Suas opiniões eram originais, mas nunca agressivas. Ele sempre conseguia acompanhar perfeitamente o raciocínio de Beatriz e estender a conversa para uma reflexão mais profunda. Os nervos de Beatriz, que estiveram tensos o dia todo, relaxaram gradualmente naquela atmosfera confortável.
O restaurante ficava em uma antiga casa de estilo ocidental, com um ambiente silencioso e refinado, e a sala privada exalava um leve aroma de osmanthus. Os pratos eram requintados e os sabores, leves e frescos, perfeitamente ao gosto de Beatriz.
Após algumas rodadas de bebida e a refeição já encaminhada, o clima estava harmonioso. Vitor pousou os pauzinhos, usou um guardanapo para limpar os cantos dos lábios com suavidade e sua expressão tornou-se ligeiramente mais solene.
— Beatriz — ele começou, ainda com um tom calmo, mas carregando certa sinceridade —, na verdade, o meu convite de hoje, além de botar o papo em dia, é por dois motivos. O primeiro é que gostaria de expressar um pedido de desculpas à sua amiga, a Senhorita Tereza, através de você.
— Desculpas? — Beatriz parou e pousou a colher. — Sênior Vitor, eu... não entendo muito bem.


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