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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 117

Berta deu um leve tremor no corpo, quase imperceptível, ao ouvir isso. Logo abaixou mais a cabeça, enquanto uma vermelhidão de vergonha (falsa ou verdadeira) aparecia em suas bochechas. Com os dedos enrolando a bainha da camisa de forma nervosa, ela soluçou baixinho: — Senhora... Não, não faça isso... Ontem à noite... Eu cuidei do Adilson por vontade própria, e o que aconteceu... Eu não culpo ele... De verdade, ele não precisa assumir a responsabilidade... — Mesmo afirmando que ele não precisava assumir responsabilidade alguma, seu ar triste e frágil, aceitando todas as injustiças sem se queixar, dizia mais do que qualquer pedido direto.

Dona Giovana ficou com ainda mais pena e irritação quando ouviu aquilo, e lançou um olhar mortal ao filho: — Adilson, escute isso! Como a Berta é sensata! Mesmo agora, ela continua pensando em você! E você? Você ainda é homem? A Berta é uma garota inocente, sofreu tanto por você no passado, teve o Erasmo e o criou sozinha, e agora você... Como pode continuar indiferente? A família Ferreira nunca produziu um canalha irresponsável que abandona as pessoas depois de usar!

— Mãe! — Adilson aumentou o volume da voz de repente, com as veias da testa latejando. Ele viu a postura da mãe exigindo que ele "assumisse", e a atitude tolerante e ressentida de Berta, sentindo o fogo da raiva em seu peito aumentar cada vez mais. Assumir? Assumir de que jeito? Casar? Por causa de uma relação sexual confusa que podia muito bem ter sido armada?

Ele admitia que, ao ver as marcas em Berta e pensar na brutalidade que deve ter acontecido, sentia culpa. No entanto, dessa culpa até "ter de casar com ela por isso" havia uma distância imensa. E as fotos, como espinhos em seu coração, não ajudavam. Tereza... uso de drogas... Será que tudo não passava de coincidência?

— As coisas não são tão simples assim! — Adilson falou, tentando conter a raiva e a falta de paciência. — Minha cabeça está uma bagunça agora, preciso de tempo para entender tudo! O caso das fotos e a noite passada precisam ser investigados! Não é hora de falarmos sobre assumir alguma responsabilidade!

— Investigar? O que tem para investigar?! — A fúria de Dona Giovana voltou quando viu o filho recuar. — É óbvio que foi a cobra da Tereza que fez aquelas fotos! Ela queria acabar com você! Quanto a ontem... você é um homem feito. Se fez, está feito! Acha mesmo que a Berta conseguiria forçar alguma coisa sendo uma mulher fraca? Adilson, vou deixar bem claro hoje: se você não for homem para assumir as coisas, e desrespeitar a Berta e o Erasmo, nem o seu pai nem o seu avô que já morreu vão te perdoar, muito menos eu!

Matias, que estava em silêncio no canto, observava a briga feia, franzindo as sobrancelhas a cada segundo. Seu olhar se moveu lentamente entre a dona da casa forçando um casamento, a senhorita chorando de ressentimento e o jovem patrão angustiado. Por fim, sem deixar transparecer, ele olhou para os nós dos dedos esbranquiçados de Berta ao agarrar a camisa, e para o piscar de olhos acelerado por baixo das pálpebras baixas dela.

O sentimento de estranheza aumentava no peito de Matias. A reação da senhorita estava muito... padrão, como se já tivesse ensaiado aquilo um milhão de vezes. Já a resistência do jovem patrão, por trás de uma possível confusão e culpa, parecia revelar um sentimento de rejeição mais forte. Quanto às fotos, a ocasião em que apareceram e o que indicavam era tudo muito perfeito para não ser estranho. Ele abaixou os olhos de leve e escondeu as desconfianças. Agora não era hora de falar.

Capítulo 117 1

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