Hotel Shangri-La Paris, 18º andar.
A porta do elevador se abriu e o grupo saiu. O corredor tinha um tapete grosso, pinturas impressionistas nas paredes e uma iluminação suave e quente.
Tereza caminhou puxando a mala, com Caio ao seu lado. Beatriz e Renan vinham atrás, conversando em voz baixa.
Ao chegar na porta do quarto 1806, Tereza parou e pegou o cartão.
Ela passou o cartão e a fechadura apitou antes de abrir.
Ao se virar, ela viu que Caio continuava parado ali, sem intenção de sair.
— Em qual quarto você está? — Ela perguntou.
Caio apontou para o lado: — 1808.
Tereza olhou para a porta e depois para ele.
Ao lado.
Que coincidência?
Caio encontrou o olhar dela com uma expressão calma: — O hotel só tinha este quarto disponível, não imaginei que ficaria ao lado do seu.
Renan, de pé atrás dele, abaixou a cabeça em silêncio.
A habilidade do chefe de mentir descaradamente estava cada vez melhor. Foi ele que fez a reserva com uma semana de antecedência, pedindo explicitamente um quarto ao lado do da Dra. Tereza.
Tereza o observou por dois segundos, sem dizer nada.
Então ela concordou com a cabeça: — Vá descansar cedo.
Ela empurrou a porta, pronta para entrar.
— Tereza. — Caio falou de repente.
Tereza olhou para trás.
Caio estava parado ali, com a luz do corredor formando um halo suave atrás dele. O olhar dele estava fixo no rosto dela, sério e atento.
— Quais são os seus planos para amanhã? — Ele perguntou.
Tereza pensou um pouco: — Os organizadores vão mandar um carro para me buscar. De dia devem ser os ensaios e alguns eventos, e à noite a cerimônia de premiação.
Caio concordou com a cabeça: — Então amanhã à noite...
— Não precisa. — Tereza o interrompeu, com um tom gentil, mas firme. — Os organizadores vão cuidar disso. Pode cuidar das suas coisas.
Caio ficou em silêncio por um segundo.
Então ele concordou com a cabeça: — Tudo bem. Vá descansar cedo.
Tereza olhou para ele e sorriu de leve.
— Obrigada por hoje. — Ela disse. — Por ter ido nos buscar.
Caio balançou a cabeça: — De nada.
Os dois se olharam por dois segundos.
Então Tereza empurrou a porta e entrou.
A porta se fechou suavemente atrás dela.
Caio continuou parado, olhando para a porta fechada, sem se mexer.
O corredor estava muito silencioso.
Só se ouvia o zumbido leve do ar-condicionado.
Ele ficou parado ali por vários instantes. Depois baixou o olhar para a sua mão direita: era exatamente essa mão que Tereza tinha segurado pouco tempo atrás. A mão dela era macia e quente, agarrando o seu pulso enquanto o puxava para ir embora. Tinha durado só poucos segundos, mas ele ainda conseguia sentir o calor do toque dela.
Caio sorriu de leve, um sorriso que ele mesmo não percebeu.
—
Quarto 1808.
Caio entrou no quarto e sentou no sofá.
Ele não acendeu a luz.
A Torre Eiffel brilhava com uma luz suave lá fora, entrando pela janela do chão ao teto e projetando sombras no chão.
Ele sentou no escuro, ainda olhando para a mão direita.
Então ele levantou a mão e a colocou na frente dos olhos.

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