— Chega! — Otávio bateu na mesa e a xícara de chá chegou a balançar. — Vá para o seu quarto!
Larissa levantou-se contra a vontade e, antes de sair, lançou um olhar de inveja e indignação para Berta.
Quando o som dos passos de Larissa desapareceu pela escada, o silêncio voltou à sala.
Otávio massageou as têmporas e voltou a sentar-se:
— Berta, por mais que a Larissa seja grosseira, o que ela diz tem fundamento. Qual é exatamente a atitude do Adilson em relação a isso?
Berta ficou em silêncio por alguns instantes, deu um gole no chá e então começou a falar devagar:
— Ele prometeu assumir a responsabilidade, mas...
— Mas o quê?
— Mas eu sinto que ele não quer se divorciar agora — disse Berta.
Inês segurou a mão da filha com preocupação:
— Berta, será que nesses três anos... o Adilson acabou se apaixonando pela Tereza de verdade?
— Impossível — Berta afirmou com convicção. — Mãe, pode ficar tranquila. O Adilson sempre teve sentimentos por mim. É só que... ele se sente culpado. Afinal, a Tereza não fez nada de errado na Família Ferreira nesses três anos; para ele, pedir o divórcio assim, de repente, fica feio.
— E o que você vai fazer? — perguntou Otávio.
— Esperar — respondeu Berta. — Esperar o assunto estourar na mídia, esperar a pressão da Dona Giovana, esperar que o Adilson seja forçado a escolher.
— E se ele escolher a Tereza? — Inês ainda não se sentia segura.
Berta sorriu com sua habitual confiança:
— Ele não vai. Pai, mãe, esqueceram? Se eu fiz o Adilson gostar de mim no passado, posso fazer o mesmo agora. Além disso, agora eu tenho a carta na manga que é o Erasmo.
Ela fez uma pausa e abaixou o tom de voz:
— A saúde do Vovô Vicente não está boa, e Zhenhua Ferreira preza muito a reputação da família. Agora a mídia está dizendo que sou a primeira opção que foi forçada a fugir pela Tereza e que esperei por três anos sofrendo com o neto da Família Ferreira. Nesse cenário, se a Família Ferreira não me der um lugar, será massacrada pela opinião pública.
Otávio assentiu:
— Isso é verdade. A Família Ferreira liga muito para as aparências.
— Por isso — disse Berta —, nós só precisamos esperar. Esperar que a Família Ferreira não aguente a pressão e que o Adilson tenha que assinar o divórcio.
Inês suspirou e deu uns tapinhas na mão da filha:
— Berta, a mãe só tem pena de você. Nesses três anos, sozinha lá fora...
— Mãe, já passou — Berta apertou a mão de Inês e falou com doçura. — O mais importante agora é me tornar a Sra. Ferreira. Assim que eu entrar para a Família Ferreira, a família Ramos também vai crescer. Nessa hora, tudo o que a Larissa quiser, nós poderemos dar.
Ao mencionar a caçula, a feição de Inês tornou-se mista:
— A Larissa... está cada vez mais rebelde. Berta, não leve a mal o que ela disse.
— Não vou — Berta sorriu. — Ela é a minha irmãzinha, eu jamais ligaria para isso.
Embora falasse aquilo, ela sabia no íntimo que precisava tomar cuidado com aquela irmã.
Especialmente quando se tratava do assunto com o Adilson.
No andar de cima, Larissa não entrou no quarto. Ficou encostada na curva da escada, prendendo a respiração para escutar a conversa.

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