Hotel Shangri-La, 17º andar.
A porta do elevador se abriu e um grupo de pessoas saiu.
Adilson Ferreira acompanhou Berta Ramos até a porta do quarto 1705. Berta segurou a mão dele, com os olhos vermelhos: — Adilson, fica comigo um pouco, tá bom?
Adilson Ferreira olhou para ela, em silêncio por um segundo.
— Descanse primeiro. — ele disse. — Amanhã você tem ensaio.
Berta Ramos mordeu o lábio e, por fim, assentiu: — Tá bom. Então você vai comigo ao teatro amanhã?
Adilson Ferreira murmurou um "hum".
Só então Berta Ramos soltou a mão dele e empurrou a porta para entrar.
A porta se fechou.
Adilson Ferreira virou-se e olhou para Isadora Ferreira.
— Vá descansar também. — ele disse. — A comida será entregue daqui a pouco.
Isadora Ferreira assentiu e olhou para ele: — E você?
— Tenho umas coisas para resolver. — Adilson Ferreira disse, caminhando em direção à janela do chão ao teto no fim do corredor.
Isadora Ferreira olhou para as costas dele, torceu os lábios e virou-se para entrar em seu próprio quarto.
—
No fim do corredor, diante da janela.
Adilson Ferreira estava parado ali, olhando para a vista noturna de Paris. As luzes da Torre Eiffel ainda brilhavam, os barcos turísticos no rio Sena passavam lentamente, deixando rastros na água.
Ele tirou um cigarro do bolso e acendeu.
Deu um trago profundo e soltou a fumaça lentamente.
A fumaça formou uma mancha branca e difusa no vidro.
Marcos Lima se aproximou, parando meio passo atrás dele.
— Sr. Ferreira, — ele relatou em voz baixa, — descobri. A Dra. Tereza também está neste hotel, no quarto 1806. Caio Mendes está no quarto ao lado, 1808.
Os dedos de Adilson Ferreira pararam por um momento.
As cinzas do cigarro se soltaram e caíram devagar no chão.
— Caio Mendes fez de propósito? — ele perguntou.
Marcos Lima assentiu: — Provavelmente. Ele reservou o quarto com uma semana de antecedência, pedindo especificamente para ficar ao lado da Srta. Tereza.
Adilson Ferreira não disse nada.
Ele deu mais um trago no cigarro, olhando pela janela.
A noite de Paris era linda. As luzes brilhavam, brilhantes como um sonho.
Mas em seus olhos, não havia nada.
— Certo, — ele falou, a voz um pouco rouca, — vá descansar também.
Marcos Lima assentiu e virou-se para sair.
Deu alguns passos e olhou para trás.
Adilson Ferreira continuava parado ali, imóvel.
A fumaça pairava ao seu redor, borrando sua silhueta.
—
Quarto 1808.
Caio Mendes estava deitado na cama, encarando o teto.
Ele já estava deitado assim há quase duas horas.
Não conseguia dormir.
Não conseguia dormir de jeito nenhum.
Sua mente estava cheia das palavras de Gabriel Bianco—
— Gravidez.

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