O Bentley preto se afastou lentamente do Grand Palais, misturando-se ao tráfego na noite de Paris.
Adilson estava recostado no banco, de olhos fechados. O lenço em sua mão direita já estava encharcado de sangue, mas ele permanecia imóvel, como se não sentisse dor.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos e entregou o celular para Marcos.
— Descubra quem é esse homem. — Sua voz estava rouca. — E também descubra a relação dele com Berta. O número é desconhecido, dê um jeito de rastrear a origem.
Marcos pegou o celular e olhou para a tela.
Aquela foto perfurou seus olhos instantaneamente:
Um homem cujo rosto não podia ser visto claramente segurava o queixo de Berta com uma mão, com tanta força que a pele do queixo dela ficou branca. O olhar de Berta estava cheio de pânico, como uma vítima com o pescoço sob o domínio de uma fera.
O horário marcado na foto era desta manhã.
Desta manhã?
Marcos franziu a testa.
Berta não tinha ido ensaiar com a companhia de teatro esta manhã? Como ela poderia ter sido pega por esse homem...
Ele não ousou pensar mais a respeito.
Mas uma vez que aquele pensamento surgiu, não pôde mais ser reprimido.
Traição.
Essa palavra saltava loucamente em sua mente.
Ele olhou furtivamente para Adilson no banco de trás, e uma simpatia indescritível surgiu em seu coração.
O chefe estava em uma situação muito miserável, não é?
A ex-esposa era uma figura importante escondida. Após o divórcio, suas identidades secretas foram reveladas uma a uma: gênio da medicina, mestre do design. Qualquer uma dessas identidades poderia atrair a atenção do mundo. No entanto, ele a tratou como ar e a expulsou de casa.
Agora, essa noiva estava grávida, mas hoje foi fotografada tendo o queixo segurado por alguém assim...
Marcos soltou um suspiro para si mesmo.
Que destino tão cruel. Ele trocou o que havia de melhor por algo sem valor, e agora tem que arcar com todas as consequências.
Enquanto dirigia, ele fez algumas ligações usando o fone de ouvido Bluetooth e organizou a investigação.
O interior do carro caiu em silêncio novamente.
Fora da janela, as luzes de Paris brilhavam, e a Torre Eiffel piscava com uma luz suave à distância.
Mas a atmosfera dentro do carro era mais fria do que a noite lá fora.
—
Enquanto isso, em outra rua de Paris.
Um carro esportivo prateado de edição limitada dirigia suavemente, e sua carroceria aerodinâmica brilhava com um luxo discreto sob as luzes da rua.
Louis estava no banco do motorista, com uma mão no volante e a outra marcando o ritmo da ópera que tocava no carro. Ele havia trocado para um terno de veludo verde-escuro esta noite, com uma gravata-borboleta exagerada no colarinho, e seus cabelos loiros brilhavam sob a luz do carro.
No banco de trás, Tereza estava encostada na janela, observando a paisagem da rua passando rapidamente. Ela já havia tirado aquele vestido longo branco como a lua e usava um sobretudo bege simples, com o cabelo solto, parecendo gentil e casual.
Beatriz estava sentada ao lado dela, com os olhos arregalados como pires.
Desde que entrou no carro até agora, sua boca não havia se fechado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa