Marcos franziu a testa e olhou para Adilson.
Adilson olhou para ele: — Espere lá fora.
Marcos só pôde assentir e recuar para o lado.
Adilson seguiu o homem pelo salão resplandecente e entrou no teatro.
As luzes já haviam se apagado e a plateia estava cheia de pessoas. Roupas elegantes, sombras de cabelo, conversas em voz baixa, o ar estava cheio de cheiro de perfume e champanhe.
O homem guiou Adilson até um assento na terceira fileira.
— Sr. Ferreira, por favor, sente-se. A apresentação vai começar em breve.
Adilson sentou-se e seu olhar varreu os arredores.
A luz estava muito escura, ele não conseguia ver as pessoas ao longe. Só conseguia ver vagamente algumas figuras de destaque sentadas na primeira fileira e os contornos indistintos nos camarotes do segundo andar.
Ele desviou o olhar e recostou-se no banco.
O ferimento em sua mão direita doía levemente.
Mas ele não se importava com isso.
Ele apenas se perguntava se o homem da foto também estaria ali.
—
No camarote do segundo andar.
Dona Beatrice estava sentada no lugar bem no meio, com a mãe de Louis e alguns anciãos da família à sua esquerda e direita. Louis estava sentado na fileira de trás, brincando com o celular, entediado.
Tereza estava sentada ao lado de Dona Beatrice, e Beatriz estava ao lado dela.
Beatriz estava completamente atônita.
Desde que entrou naquele camarote, ela sentiu como se tivesse entrado em outro mundo. As pessoas vestindo roupas luxuosas ao redor, as conversas elegantes em francês, aquele ar aristocrático sutil, tudo a deixava sem fôlego.
Ela olhou furtivamente para Tereza.
Tereza estava conversando em voz baixa com Dona Beatrice, com um leve sorriso no rosto, tão calma como se estivesse em sua própria casa.
Beatriz aprovou mentalmente a postura da amiga.
Como esperado de sua melhor amiga.
Essa resiliência psicológica era incrível.
Louis se aproximou e perguntou em voz baixa: — Senhorita Beatriz, está nervosa?
Beatriz assentiu honestamente: — Estou nervosa.
Louis sorriu, tirou um chocolate do bolso e o entregou a ela.
— Coma um doce, você não vai ficar mais nervosa.
Beatriz pegou o chocolate, atônita.
Aquela cena parecia um pouco diferente do jantar aristocrático que ela havia imaginado.
Ela descascou o papel do doce e colocou o chocolate na boca.
O sabor doce derreteu na ponta de sua língua.
Ela respirou fundo e parecia que realmente não estava mais tão nervosa.
—
No teatro, as luzes se apagaram completamente.
No palco, um holofote brilhou.
A música tocou.
Primeiro ato de Giselle.
As dançarinas de vestidos brancos saíram flutuando dos bastidores, tão leves quanto borboletas.
Berta estava na lateral do palco, respirando fundo.
Ela fechou os olhos, e uma imagem passou por sua mente:
Leon sentado na plateia, aqueles olhos azuis a encarando.
Seu corpo tremia levemente.
— Berta, é a sua vez. — Um membro da equipe lembrou em voz baixa.
Berta abriu os olhos.
Ela deu um passo à frente e subiu no palco.
O holofote bateu nela, tão brilhante, tão quente.
Ela não conseguia ver as pessoas na plateia, apenas uma escuridão.
Mas ela sabia que ele estava lá.
A música fluía.
Ela começou a dançar.

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