Caio Mendes continuou: — Que sentimentos existem entre vocês? Você a conhece? Você sabe o que ela gosta de comer? O que ela odeia? A que horas ela vai dormir à noite? A que horas ela acorda de manhã?
A sequência de perguntas atingiu Adilson como uma série de golpes duros.
— Você sabe por que ela gosta de plantar rosas? Você sabe de onde vêm as inspirações dela para o design? Você sabe qual era a expressão dela toda vez que via seus escândalos?
O rosto de Adilson ficou pálido.
Ele não sabia.
Ele não sabia de nada.
Caio olhou para o estado dele e suspirou levemente.
— Sr. Ferreira — disse ele —, você foi casado com ela por três anos, mas nunca a conheceu de verdade. Agora que ela foi embora, você vem fingir que tem sentimentos profundos. Tem graça?
A respiração de Adilson ficou ofegante.
Caio olhou para ele e, de repente, mudou de assunto:
— A propósito, Sr. Ferreira, deixe-me perguntar uma coisa.
Adilson olhou para ele.
Os lábios de Caio se curvaram em um sorriso cheio de significado:
— Aqueles seus dois filhos, são realmente seus?
— Ou você gosta de ser manipulado como um fantoche?
As pupilas de Adilson se contraíram bruscamente.
Um gosto de sangue subiu à sua garganta.
Era sangue.
Ele engoliu com força.
Mas aquela frase foi como um espinho, cravado em seu coração, impossível de arrancar.
— Você...
Ele queria dizer algo, mas não conseguiu dizer nada.
Caio olhou para o estado dele e balançou a cabeça levemente.
Ele virou de lado e saiu do elevador.
Ao passar por Adilson, ele parou.
— Sr. Ferreira — disse ele, com a voz muito baixa —, algumas pessoas, quando se perde, já era. Não a incomode mais.
Depois de dizer isso, ele continuou andando.
Renan o seguiu rapidamente.
——
Adilson ficou parado no mesmo lugar, imóvel.
Sua garganta ainda estava revirando.
Aquele gosto de sangue não descia de jeito nenhum.
Ele cobriu a boca bruscamente.
Tossiu.

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