O interior do carro estava muito silencioso na noite, apenas com o som dos pneus passando pelo asfalto e o ronco baixo do motor.
Depois que Caio Mendes disse aquele nome, o clima dentro do carro ficou pesado e silencioso.
— A-dil-son.
Os dedos de Tereza Viana pararam levemente. Ela virou a cabeça e olhou para ele, com um traço de surpresa no olhar.
— Por quê?
A expressão de Caio Mendes mudou.
As costas onde ele havia sido atingido ainda doíam, e o ferimento em sua orelha também latejava, mas nada disso se comparava ao impacto daquela frase dela. Ele sentiu que aquele gosto metálico que já havia engolido subiu novamente pela garganta.
Ele olhou para ela, com a voz um pouco áspera: — Você não acredita em mim?
Tereza Viana ficou atordoada por um momento.
— O quê?
O pomo de adão de Caio Mendes se moveu, e sua voz ficou ainda mais baixa: — Você acha que eu joguei a culpa nele de propósito?
Tereza Viana olhou para ele e levou alguns segundos para reagir.
Os cantos da boca dela se curvaram levemente, não era um sorriso, era uma espécie de impotência.
— Você está pensando demais. — ela disse. — Eu só não imaginava que, com tantos problemas internos e externos agora, ele ainda tivesse cabeça para fazer isso.
Ela fez uma pausa, lembrando-se da mensagem que acabara de receber.
— Além disso, a prima dele acabou de ter problemas. Não imaginava que ele ainda pudesse...
Ela não continuou, apenas balançou a cabeça.
A expressão de Caio Mendes melhorou um pouco. Ele olhou pela janela, com a voz muito suave: — Desde aquele banquete, ele contratou pessoas. Não quer que eu volte vivo.
Tereza Viana olhou para ele.
O perfil dele na luz que entrava pela janela tinha linhas duras e frias, com a mandíbula tensa. O ferimento na orelha já não sangrava mais, mas a pele ao redor ainda estava vermelha, o que era especialmente chamativo na noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa