A palpitação ficou ainda mais forte.
Ela pensou, será que aconteceu algo com o avô? O avô voltou para a casa antiga hoje, não estava na propriedade. Ela pegou o celular, encontrou o número da cuidadora do avô e estava prestes a ligar...
Houve uma batida na porta.
— Senhorita, você já dormiu? — A voz do mordomo estava um pouco mais ansiosa do que o normal.
Tereza Viana sentou-se. — Não.
O mordomo abriu a porta e entrou, segurando um tablet. Ele caminhou até a cama e entregou o tablet a ela.
— O pessoal da sala de monitoramento enviou isso. Dê uma olhada.
Tereza Viana pegou o tablet.
Na tela estava a imagem das câmeras de segurança da Propriedade Rothschild, e o horário era à noite. Na imagem, o carro de Caio Mendes havia acabado de sair do portão da propriedade e estava dirigindo pela avenida arborizada em direção à distância.
Tudo parecia normal.
Mas o dedo do mordomo deslizou pela tela, e a imagem mudou para outro ângulo. Ao longe, duas vans pretas sem placa seguiam silenciosamente o carro de Caio Mendes.
— Eles começaram a seguir desde que o Sr. Mendes deixou a propriedade. — disse o mordomo. — Mantiveram essa distância o tempo todo, nem muito longe, nem muito perto. Talvez achem que as câmeras da propriedade não cobrem tão longe.
Ele fez uma pausa e acrescentou: — Mas quando o patrão era jovem, havia muitas pessoas tentando assassiná-lo. Num raio de dez quilômetros da propriedade, tudo está sob vigilância.
Os dedos de Tereza Viana se apertaram.
Ela ampliou a imagem e viu claramente as silhuetas das pessoas no carro.
— São do Sudeste Asiático. — disse o mordomo. — Do tipo que tem alguma fama.
Tereza Viana encarou as duas vans na tela, observando-as seguir o carro de Caio Mendes, como duas ameaças perigosas que os seguiam na escuridão.
Palpitação.
Então não era o avô.
Era ele.
Seus dedos se apertaram lentamente, e as juntas ficaram brancas. Ela se lembrou de sua palpitação inexplicável, daquela irritação que a impedia de dormir, daquela sensação de sufoco.
Um pensamento passou por sua mente.
Telepatia?
Ela abaixou a cabeça e olhou para a própria barriga, que ainda estava lisa.
Ela estava grávida do filho dele.
Talvez fosse o bebê dentro dela avisando, de alguma forma, que o pai corria perigo.
Tereza Viana fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu novamente, seu olhar havia voltado à calma.
Ela discou o número de Caio Mendes.
Ninguém atendeu.
Ela ligou de novo.
Ainda ninguém atendeu.
Ela abaixou o celular e olhou para o mordomo.
— Organize o pessoal. Sigam-nos.
O mordomo assentiu e se virou para organizar.
Tereza Viana levantou-se, foi até o closet, tirou o pijama e vestiu o sobretudo. Ela prendeu o cabelo em frente ao espelho, com os dedos surpreendentemente firmes.
O mordomo já havia organizado tudo. Mais de dez pessoas, totalmente armadas, em dois carros, esperando na porta.
Tereza Viana desceu as escadas e entrou no carro.
Quando o carro saiu do portão da propriedade, ela olhou para trás, na direção em que as duas vans pretas haviam desaparecido.
O coração já não palpitava mais.
—
— O mordomo disse que alguém estava seguindo vocês, e depois de verificar, eram pessoas que vivem na ponta da faca. Provavelmente queriam atacar você.
— Eu te liguei, mas ninguém atendeu. Fiquei com medo que algo tivesse acontecido. — ela disse. — Verifiquei a localização e descobri que você tinha pegado esse caminho.
Caio Mendes abriu a boca para dizer algo, mas não conseguiu pronunciar uma única palavra. Sua garganta parecia estar bloqueada por algo, e seus olhos ardiam e inchavam.


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