Roberto olhou fixamente para ela, um traço de emoção passando por seus olhos. Mesmo a esta altura, ela ainda pensava nos outros.
— Tudo bem. — Ele assentiu. — Eu vou providenciar. Mas você, pessoalmente, também deve aceitar uma parte; esse é o meu limite.
Tereza sabia que não adiantaria recusar, então apenas assentiu: — Então... obrigada, Sr. Roberto.
A expressão de Roberto finalmente suavizou um pouco. Ele se encostou na cadeira, e seu olhar caiu no rosto de Tereza: — Tereza, depois do divórcio... o que você planeja fazer? Vai voltar para a família Viana?
— Por enquanto não. — Tereza disse. — Quero ir para o país M e ficar lá por um tempo. Tenho... algumas coisas para resolver lá.
Ela não disse exatamente o que era, e Roberto também não perguntou. Ele sabia que aquela mulher, aparentemente frágil, guardava seus próprios princípios e planos no coração.
— Que bom também. — Roberto disse. — Vá relaxar, mudar de ares. Mas Tereza, me prometa uma coisa: quando tiver tempo no futuro, não deixe de vir me ver. No meu coração, você será sempre minha filha.
Os olhos de Tereza ficaram repentinamente quentes. Ela piscou com força e assentiu: — Eu virei, pai.
— Tem mais uma coisa — Roberto hesitou. — Sábado que vem é meu aniversário de cinquenta anos, e vamos fazer um pequeno banquete em casa. Você... poderia comparecer? Considere isso como... a última vez que me fará companhia no meu aniversário como a nora da família Ferreira.
Ele olhou para Tereza, com expectativa nos olhos: — E, quando chegar a hora, eu lhe entregarei o acordo de divórcio assinado por Adilson. Fique tranquila, eu lidarei com isso, não deixarei você em uma situação embaraçosa.
Tereza ficou em silêncio por alguns segundos.
Sábado que vem... ou seja, daqui a uma semana.
Ela originalmente planejava deixar a cidade nestes próximos dias.
Mas, ao ver o olhar cheio de expectativa de Roberto, ela acabou concordando: — Tudo bem. Eu virei.
O rosto de Roberto finalmente exibiu seu primeiro sorriso sincero da noite: — Então está combinado.
Ele se levantou, foi até a estante e abriu um compartimento secreto, de onde tirou uma caixa de veludo azul-escura. A caixa não era grande, mas parecia muito valiosa.
— Pegue isto. — Ele empurrou a caixa para a frente de Tereza. — Não é algo de valor exorbitante. É um broche que pertencia à sua mãe e que ficou guardado comigo há muitos anos. Agora, é hora de devolvê-lo ao dono original.
Tereza congelou. Ela olhou para a caixa e a abriu com as mãos trêmulas.
Lá dentro, jazia silenciosamente um broche de pérola. O design era simples e elegante, e a pérola emitia um brilho suave sob a luz. Ela reconheceu o broche: era a joia favorita de sua mãe enquanto estava viva.
— Pai, isso...
— Aceite. — A voz de Roberto era muito suave. — Considere isso como... um pequeno agrado da minha parte, por ter guardado isso para a sua mãe por todos esses anos.
Os dedos de Tereza acariciaram levemente o broche, e o toque gelado fez uma onda de calor subir em seu coração. Ela fechou a caixa com cuidado e a segurou nas mãos.
— Obrigada, pai.


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