Depois de muito tempo, ele suspirou e seu tom suavizou: — Esquece, por telefone não dá para falar direito. Volte para casa amanhã, nós conversamos pessoalmente. A Heloísa e o Murilo também sentem sua falta.
Heloísa. A segunda esposa de Ricardo Viana, Heloísa Viana.
Murilo. O filho que Heloísa Viana deu à luz, Murilo Viana, de vinte anos e na universidade — isso se levar a vida na brincadeira com faltas dia sim, dia não contasse como "estar na universidade".
O canto dos lábios de Tereza se curvou em um sorriso frio.
Será que sentem a minha falta? Na verdade, eles mal podem esperar para rir da minha desgraça.
— Amanhã eu estou ocupada. — Ela disse.
— O que pode ser mais importante do que voltar para casa? — A voz de Ricardo voltou a endurecer. — Tereza, eu sou o seu pai! Quando eu digo para você vir, você tem que vir! Amanhã à noite, eu quero ver você em casa. Fim de papo!
Com isso, ele desligou na cara dela.
A linha ficou muda. Tereza ficou sob o poste de luz, segurando o celular, e não se moveu por um longo tempo.
O vento de outono soprou, levantando as folhas caídas do chão com um som de sussurro.
Ela levantou a cabeça e olhou para as poucas estrelas no céu noturno da capital, sentindo-se de repente muito cansada.
Cansada demais.
O celular vibrou outra vez. Ela olhou e viu que era de Beatriz:
"Tereza, o seu pai foi atrás de você? Ouvi o meu pai contar agora há pouco que o Sr. Viana deu um ataque de raiva na câmara do comércio hoje, falando que você era imatura e tudo mais..."
Tereza não respondeu.
Ela guardou o celular e continuou a andar.
Só que dessa vez, o ritmo dela foi ainda mais lento.
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Às quatro da tarde do dia seguinte, em uma cidade vizinha, na casa da família Viana.
O táxi parou na entrada do condomínio, e Tereza pagou antes de sair do carro.
O condomínio onde os Viana moravam era um nível inferior ao Condomínio Vista da Serra, onde ficava a casa velha dos Ferreira, mas não deixava de ser rico. Ricardo Viana transferiu a empresa para Pequim há três anos, usando as conexões dos Ferreira, mas manteve a casa ali, dizendo que "já estava acostumado".
Tereza caminhou pelo caminho familiar. As casas dos dois lados eram luxuosamente decoradas e havia carros caros nas garagens. Ao passar por uma delas, ela viu um grupo de mulheres de meia-idade bebendo chá e conversando no pátio; quando a viram, lançaram olhares cheios de significado.
— Ora, não é a Tereza? Está de volta? — Uma mulher de cabelos cacheados a cumprimentou em voz alta, sem conseguir esconder o tom de fofoca.
Tereza acenou levemente: — Dona Wang.
— Fiquei sabendo que vai se divorciar dos Ferreira. É verdade? — Uma outra mulher com um vestido de seda assumiu a palavra, olhando-a de cima a baixo. — Olha aqui, Tereza, é normal para os homens se divertirem fora de casa. Não leve isso para o coração. Famílias como a Ferreira são raras; se perder a chance, não terá outra.
Tereza não parou de andar, apenas murmurou: — Agradeço a preocupação.
Mesmo longe, ainda conseguiu ouvir a conversa pelas suas costas:
— Tsc, tsc. Deixando de ser a senhora Ferreira assim, querendo se divorciar...

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