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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 72

A luz da manhã passava pela fresta das cortinas grossas, lançando manchas douradas no tapete escuro da suíte.

Tereza Viana acordou com uma dor muscular que era ao mesmo tempo familiar e estranha. No instante em que a consciência voltou, fragmentos das memórias despedaçadas e ardentes da noite anterior invadiram sua mente: o copo de água que Berta Ramos lhe entregou, o sorriso obsceno de Felipe Ramos, a dor aguda de cortar a pele, e... os olhos escuros de Caio Mendes, os beijos quentes.

Ela abriu os olhos de repente. O que viu foi um teto desconhecido e um lustre de cristal luxuoso. A sensação em seu corpo dizia claramente o que havia acontecido. A ferida na lateral de sua perna emitia ondas de dor surda, mas já havia sido devidamente enfaixada. Vestia roupas de ficar em casa, macias e limpas, que não eram suas. Havia um leve aroma de cedro no ar, misturado com um toque... de um cheiro claro e masculino.

Ela não se moveu de imediato, apenas ficou deitada em silêncio. Com os olhos lúcidos, analisou rapidamente a situação atual.

O efeito do remédio havia passado completamente. Além do desconforto no corpo e da dor na ferida, os danos ao sistema nervoso pareciam ter sido contidos a tempo. Isso graças a Caio Mendes... Ela apertou os lábios. A razão lhe dizia que, na situação da noite passada, ele escolher ser o "antídoto" pessoalmente talvez fosse a melhor solução, pois pelo menos ele era "limpo" e, depois do fato, a situação seria relativamente controlável.

Só que... Ela moveu os dedos levemente, repuxando alguns músculos doloridos, e franziu um pouco as sobrancelhas. O preço foi ter perdido a virgindade que manteve por vinte e cinco anos de uma forma quase absurda.

— Acordou?

Uma voz grave soou da porta.

Tereza olhou na direção do som. Caio Mendes já estava lá, não se sabe desde quando. Vestia roupas casuais cinza-claras, com uma postura ereta e os cabelos ainda um pouco úmidos, mostrando claramente que acabara de se lavar. Ele segurava uma bandeja nas mãos com mingau, alguns acompanhamentos e um copo de água morna. Sua expressão era calma, sem mostrar nenhuma emoção em particular, apenas que seus olhos escuros a observavam com uma atenção indescritível.

— Como está se sentindo? Ainda tem algum desconforto em algum lugar? — Ele se aproximou, colocou a bandeja na mesa de cabeceira e, com naturalidade, estendeu a mão para tocar a testa dela.

Tereza virou levemente o rosto, evitando a mão dele. O movimento não foi grande, mas a intenção de recusa era óbvia.

A mão de Caio parou no ar por um instante, e logo ele a recolheu com naturalidade, sentando-se na poltrona ao lado da cama. — Eu verifiquei a ferida novamente, não há sinais de infecção. Mas você perdeu sangue e... teve um desgaste físico muito grande, precisa repousar. — O tom de sua voz era estável, como se estivesse relatando uma condição médica.

— Obrigada. — A voz de Tereza estava um pouco rouca. Ela se apoiou para tentar sentar, o que repuxou a ferida e o abdômen dolorido, fazendo-a parar o movimento involuntariamente.

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