Enquanto todos discutiam se Hera era a culpada dos dois desastres daquele dia, o caminhão dos bombeiros chegou.
Mas como a rua ainda não estava pronta, o caminhão não conseguiu entrar.
Só um grupo de bombeiros correu até lá.
"O caminhão não entra! Ainda tem alguém lá dentro?"
Ninguém teve tempo de responder, quando a garçonete deu um grito agudo.
"Olhem! Tem uma janela aberta onde está pegando fogo!"
Todos olharam para onde ela apontava.
No quarto andar do hotel, uma janela tinha sido empurrada. No meio da fumaça, uma silhueta aparecia e sumia na beira da janela.
"Socorrooooo!" ela gritou.
Jennie reconheceu na hora: era a voz da Amanda.
Ela olhou para Bryan.
Bryan também olhou para ela.
Nem precisou dizer nada, os dois sabiam exatamente o que o outro estava pensando.
"Temos que salvar ela!"
O responsável gritou.
Os bombeiros partiram correndo para entrar.
Mas o fogo estava tão forte que logo tiveram que voltar correndo.
"Temos que trocar de roupa", explicou o capitão. "Precisamos de roupas que nos protejam das queimaduras antes de entrar."
Todos concordaram, entendendo a situação.
Afinal, bombeiro também é gente, não dá pra não ter medo de fogo.
O problema é que, enquanto eles trocavam de roupa, Amanda já não aguentava mais esperar.
Ela tinha visto Jennie no meio da multidão.
O fogo queimava seu rosto, a dor era tão grande que quase desmaiou.
Quando viu Jennie, achou que ela não queria deixar os bombeiros entrarem para salvá-la. Então, sem pensar duas vezes, pulou da janela.
Ela não queria morrer queimada ali!
Os bombeiros gritaram: "Não pulaaa!"
Mas já era tarde.
Amanda pulou com tudo, caindo pesadamente.
Teve sorte e azar ao mesmo tempo.
Não caiu no chão, mas sim em um arbusto que circundava o hotel.
Só que, mesmo assim, quebrou a perna.
E por coincidência, a perna dela ficou igualzinha à da Hera: o pé virado pra trás, a perna toda torcida.
A dor foi tanta que ela desmaiou na hora.
Os bombeiros correram para socorrê-la.
Depois de um tempo, Amanda voltou a si.
Mas, antes mesmo de respirar aliviada por ter escapado da morte, sentiu uma algema fria prender seu pulso.
Ela olhou, surpresa.
Era um homem de aparência comum, sem nada de especial.
"O que você tá fazendo?!" ela gritou. "Eu não pus fogo em nada!"
Como ninguém mais morreu, ele respirou aliviado.
Mas Luana, já dentro do carro, não conseguiu se segurar: "Pai, achei tudo muito estranho hoje."
"Como assim?"
"A Jennie e a Amanda não se davam bem. Elas já tinham brigado lá no Reino do Futuro, você mesmo viu. Agora, a Hera acolheu a Amanda, mas justamente nesse momento, cai do cavalo e morre. O quarto da Amanda, de repente, pega fogo..."
"E daí?"
"Eu suspeito que foi a Jennie."
Eder olhou para a filha.
"E se foi ela? O que você quer fazer?"
"Tem que investigar direito, claro."
Eder soltou uma risada fria.
"Investigar direito nos ajuda em quê? Aquela tal de Srta. Ramos morreu, morreu. E essa Amanda não tem nada a ver com a gente."
"Mas assim a Jennie seria punida pela lei."
"Sim, ela seria. E a gente?"
"..."
"Não esquece, Luana, investimos quase tudo que temos aqui. Eu só aceitei o convite do Sr. Kairós para trabalhar em Cidade Vida porque quero ver Stilland crescer. Se a gente começa a investigar, quer acabar com Stilland? Quer que todo mundo saiba que antes mesmo de abrir, já morreu gente aqui, já teve incêndio?"
"..."
"Quanto mais rico, mais supersticioso e medroso. Se souberem que já teve problema aqui, ninguém mais pisa. O País Ocularis é enorme, haras não falta."
Luana ficou em silêncio.
As duas mãos, apoiadas nas calças, se fecharam em punhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....