"Sr. Ramos, quanto tempo, hein? Você viu o meu Noberto por aí?"
Mateus forçou um sorriso amarelo.
"Srta. Jardim, pode me chamar só de Mateus. O seu Noberto é o último a entrar hoje, está guardado como atração principal."
Jennie fez uma cara de surpresa digna de novela.
"Meu Noberto já virou atração principal? Pelo visto, agora ele vai estourar mesmo!"
O sorriso de Mateus ficou ainda mais sem graça.
Jennie olhou para ele, cheia de dúvida.
"Mas você é bem mais famoso que o Noberto, por que entrou tão cedo?"
Agora Mateus nem conseguia mais disfarçar.
Só que naquele dia, ele não queria confusão, só queria que Kleber seguisse o plano da Sylvia sem bagunça.
Ele era artista da moda, mas diante dos chefões do capital, não era nada.
Então, forçou um sorriso pior que choro e respondeu: "Noberto tem talento, logo logo vai ser mais famoso que eu. Vou procurar meu agente, Srta. Jardim, fique à vontade."
E já ia saindo.
Jennie não o impediu, só ficou olhando suas costas.
Só dava pra ver os músculos do rosto de Mateus totalmente travados, como se fosse perder o controle a qualquer momento.
As palavras dela, de fato, tinham ficado como uma agulha cravada no coração de Mateus.
Não demorou, e os artistas começaram a chegar aos poucos.
Zico compareceu pessoalmente naquele dia, fez o discurso de abertura e foi direto ao ponto: "Daqui a uma hora começa o leilão beneficente, por enquanto fiquem à vontade."
Desceu do palco e foi rapidinho para a sala de descanso.
Sem o chefe por perto, a festa ficou animada rapidinho.
Noberto apareceu diante de Jennie, com um misto de alegria e preocupação.
"Jennie, o que você está fazendo aqui? Eu ia te procurar no hospital depois. Está melhor?"
Jennie respondeu: "Foi só uma gripe, já tive alta. Ouvi dizer que aqui tava animado, vim ver qual é."
"Então nada de bebida, hein? Gripe e álcool não combinam, ainda mais com antibiótico." Noberto a aconselhou, todo cuidadoso.
Mas logo chegaram uns artistas para cumprimentar Noberto.
Jennie disse pra ele não se preocupar, que podia ir se divertir, e foi atrás da mesa de doces procurar a Cecilia.
Cecilia estava encarando um pedaço de bolo mousse.
Dava pra ver que ela estava ansiosa, o bolo já estava todo amassado no prato.
Quando viu Jennie chegando, perguntou na lata: "Os artistas já entraram todos, por que a Sylvia ainda não veio? Será que ela não vem mesmo?"
"Ela vem."
Jennie respondeu com toda certeza.
Ela não tirava os olhos do Mateus.
Na hora, viu que Mateus atendeu o celular, ficou com uma cara seríssima e logo foi em direção à porta lateral.
"Ela chegou," Jennie disse.
Cecilia acompanhou o olhar dela e, de fato, viu Mateus chegando com Sylvia.
Bem nessa hora, Sylvia saiu da sala e viu tudo.
Ela apertou firme a barra do vestido.
Se fosse ela, Noberto jamais a levaria para conhecer alguém.
Quando via Sylvia, ele fugia como se visse uma jararaca.
"Srta. Silva, fique calma." Mateus avisou ao lado, com medo da Sylvia perder a linha e dar um tapa na cara da Cecilia.
"Eu sei."
Sylvia soltou devagar o vestido, alisou as dobras e caminhou em direção a Noberto.
Noberto a viu, ficou visivelmente surpreso e logo fechou a cara.
Sylvia percebeu e ficou ressentida.
Ela mesma já não sabia se gostava mais de Noberto ou se estava era obcecada por não tê-lo.
"Se não se importar, podemos conversar a sós?" Sylvia perguntou.
Noberto ficou em silêncio, querendo dizer não.
Afinal, Sylvia era uma moça, e ele não queria criar barraco em público.
Só que Sylvia fez que não entendeu, ficou parada só olhando pra ele.
A Cecilia puxou o braço do Noberto, com o olhar de cachorrinho pidão: "Noberto, quem é ela?"
Noberto olhou para Cecilia, e a expressão distante sumiu.
"Uma ex-chefe da antiga empresa."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....