O impacto veio antes mesmo de atravessarem as portas de desembarque.
O ar quente envolveu Francine e Malu como um abraço exagerado, quase teatral, daqueles que fazem a pele lembrar imediatamente onde está.
O contraste com o inverno nova-iorquino foi tão brusco que Malu riu sozinha, sentindo o suor surgir antes mesmo de dar três passos.
— Meu Deus… — Francine soltou o casaco no braço. — Assim que chegarmos em casa eu quero um banho de piscina. Pra lavar esse frio até da alma.
— Você acabou de sair do avião — Malu provocou. — Já quer entrar na água?
— Quero — Fran respondeu, sem culpa nenhuma. — E depois quero reclamar do calor. É o ciclo natural da vida.
O caminho até a mansão foi silencioso no começo.
Não um silêncio pesado, um silêncio confortável, de quem ainda estava se reajustando ao próprio fuso horário e às próprias emoções.
Foi Malu quem quebrou primeiro.
— Fran… eu tava pensando. — Ela apoiou o braço no vidro, observando a cidade que reaparecia familiar. — Acho que tá na hora de eu sair da mansão.
Francine virou o rosto devagar.
— O quê?
— Não faz mais sentido eu ficar lá. — Malu deu de ombros, mas o tom era sério. — Eu e o Cássio estamos bem. Não tem por que eu continuar escondida, ocupando um quarto que nem é meu.
— Mas você é de casa — Fran rebateu, rápido demais. — Sempre foi.
Malu sorriu, grata.
— Eu sei. E eu amo isso. Mas também sei quando preciso do meu espaço… do nosso espaço.
Francine suspirou, apoiando a cabeça no banco.
— Eu vou sentir sua falta todos os dias.
— Eu não vou sumir — Malu riu. — Só vou… mudar de CEP.
Quando chegaram, Francine cumpriu a promessa imediatamente.
Nem malas foram abertas.
Em poucos minutos as duas estavam na piscina, o sol alto refletindo na água azul, o cheiro de verão misturado ao de protetor solar.
Malu se sentou na borda, os pés dentro da água, e puxou o celular.
— Vou ligar pro Cássio. Fazer figa pra ele — disse, com aquele sorriso que denunciava saudade boa.
A chamada foi atendida quase no mesmo segundo.
— Chegaram? — a voz dele veio quente, como o clima.
— Chegamos. — Ela virou a câmera para a piscina. — Olha isso.
— Prefiro a da minha casa — ele respondeu sem pensar. — Se bem que ela ficaria muito melhor se você estivesse dentro.
Malu riu.
— Sempre direto, né?
— Sempre honesto. — Ele inclinou o rosto, sério por um segundo. — Por que você não vem morar comigo?
O silêncio durou pouco, mas foi real.
— Cássio… — ela mordeu o lábio. — Será que a gente não tá apressando demais as coisas?
Ele sorriu daquele jeito convencido, mas tranquilo.
— Meu colchão é melhor que o seu, meu braço é o melhor travesseiro que você vai encontrar, eu amo a sua comida… — fez uma pausa dramática. — E a gente evita gastar dinheiro à toa com aluguel. Só vejo vantagens.
Malu caiu na gargalhada.
— Eu vou pensar — respondeu, sincera.
— Pensa com carinho — ele piscou. — Eu espero.

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