A casa estava um caos cuidadosamente organizado.
Luzes montadas na sala, cabos no chão, um fotógrafo tentando enquadrar a cena perfeita enquanto Francine mudava de posição pela terceira vez, procurando um jeito minimamente confortável de sustentar a barriga já enorme.
— Amor, se eu cair pra trás, você segura — ela avisou, sem nenhuma cerimônia.
— Eu seguro você, a barriga, o bebê e o fotógrafo se for preciso — Dorian respondeu, ajustando a postura no sofá.
Theo, com seus quatro anos recém-completos, não parecia minimamente interessado no conceito de editorial de revista.
Estava inquieto no colo do pai, girando o tronco, esticando o pescoço para procurar qualquer coisa que fosse mais interessante do que ficar parado.
— Theo, amor… fica quietinho só mais um pouquinho — Francine pediu, tentando manter o sorriso.
— Mas eu já fiquei quieto! — ele rebateu, indignado, como se estivesse há horas cumprindo um castigo.
No colo de Francine, Matheus, com pouco mais de um ano, dormia profundamente, completamente alheio ao barulho, às luzes e à movimentação.
Eleonor, sentada em uma poltrona próxima, observava tudo com um sorriso quase bobo, pronta para resgatar o neto ao menor sinal de incômodo.
No chão, Duque, o cachorro de Dorian, parecia o único plenamente satisfeito com a situação, deitado de lado, imóvel, como se tivesse sido treinado para aquela foto.
Antes que Francine pudesse insistir, o fotógrafo ergueu a câmera novamente.
— Perfeito assim. Só mais uma… isso… ótimo.
Dorian manteve o braço firme em volta de Francine, a outra mão segurando Theo com naturalidade, como se estivesse equilibrando aquele pequeno furacão desde sempre.
— Perfeito — o fotógrafo anunciou, depois de alguns cliques finais. — Já temos material mais do que suficiente.
Foi a deixa.
Theo escorregou do colo de Dorian como uma flecha.
— DUQUEEEE!
O cachorro levantou a cabeça no susto e saiu correndo pela casa, com Theo logo atrás, gargalhando.
— THEO! — Francine chamou, sem conseguir esconder o riso. — Pelo amor de Deus! Se você derrubar alguma coisa…
Theo diminuiu o ritmo por meio segundo… e continuou correndo.
Dorian não levantou a voz. Não precisou.
— Theo.
Foi só isso.
Um chamado baixo, firme, acompanhado de um olhar específico, aquele que misturava autoridade e carinho na medida exata.
Theo freou no meio da sala, virou devagar e voltou andando, como se tivesse lembrado de um compromisso urgente.
— Desculpa, papai.
Dorian assentiu uma única vez.
— Depois.
Enquanto isso, Francine passou Matheus com cuidado para os braços de Eleonor, que estava ali desde cedo, observando tudo com um sorriso que misturava orgulho e um carinho quase comovente.
— Dá ele aqui — disse, imediatamente fazendo um dengo silencioso no neto. — Esse dorme igual ao pai.
Francine sorriu, observando a sogra acomodá-lo contra o peito com um carinho que, anos antes, ela jamais teria imaginado receber.
Desde o nascimento de Theo, Eleonor tinha reaparecido aos poucos.
Primeiro com visitas cautelosas, depois com ajuda prática, noites mal dormidas divididas, conselhos não solicitados, mas cheios de intenção boa.

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