O acesso ao telhado foi mais simples do que Francine imaginava.
Nada de tapetes vermelhos, portas escondidas ou seguranças de terno.
Apenas uma porta metálica discreta no fim de um corredor pouco iluminado, o rangido suave da maçaneta sendo girada e, logo em seguida, o vento frio batendo no rosto como um aviso claro de que eles estavam muito mais altos do que deveriam.
Assim que saíram, a cidade se abriu diante deles.
Nova York parecia outra dali de cima.
Menos barulhenta, menos agressiva.
Um emaranhado de luzes pulsando em silêncio, prédios recortando o céu escuro, ruas que pareciam veias luminosas levando gente de um lado para o outro sem que eles precisassem ouvir o caos.
A área coberta ocupava apenas parte do telhado, suficiente para protegê-los da chuva fina que começava a cair, quase tímida.
Duas poltronas confortáveis, um sofá compacto encostado na parede, mantas dobradas com cuidado como se alguém tivesse pensado em cada detalhe.
Uma mesa pequena com petiscos simples, queijos, frutas, castanhas, e, ao lado, um bar improvisado com bebidas já geladas, esperando como se aquele momento tivesse sido ensaiado.
Francine deu dois passos à frente e parou, olhando em volta com incredulidade.
— Vocês… — começou, a voz falhando levemente. — Vocês fizeram tudo isso?
Dorian abriu um meio sorriso, aquele que aparecia quando ele tinha certeza de que tinha acertado em cheio.
— Eu disse que tinha um plano B.
À frente deles, um peitoril de vidro delimitava o espaço aberto.
E logo ali, perfeitamente enquadrada entre prédios e reflexos, a bola da Times Square era visível, suspensa no escuro como um lembrete.
Faltava pouco. Muito pouco.
Eles se acomodaram primeiro na parte coberta.
A chuva caía leve, quase elegante, e o som abafado contra o teto tornava tudo mais íntimo, como se o mundo tivesse diminuído o volume para não atrapalhar aquele momento.
Francine observava a cidade lá embaixo e pensava, não sem um arrepio, em como estaria se sentindo se ainda estivesse no meio daquela multidão espremida.
— Eu nunca mais reclamo do calor do Brasil — murmurou, puxando a manta sobre os ombros.
— Nunca — Malu concordou, pegando outra manta e se cobrindo até o queixo antes de se aninhar no peito de Cássio, buscando ali o calor que o vento insistia em roubar.
Ele a envolveu sem dizer nada, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Como se sempre tivesse sido assim.
O tempo passou diferente naquele telhado. Sem pressa, sem contagem ansiosa.
Risadas baixas surgiam do nada, comentários aleatórios, lembranças compartilhadas.
Às vezes o silêncio se instalava e ninguém sentia necessidade de quebrá-lo. Apenas existiam ali, juntos, enquanto a chuva diminuía até desaparecer por completo.
Quando faltavam poucos minutos para a virada, eles se levantaram quase ao mesmo tempo, atraídos pelo vidro como se a cidade os chamasse.
Foram até o parapeito, lado a lado.
Dorian ficou atrás de Francine, as mãos repousando com cuidado sobre a barriga dela, o gesto carregado de um orgulho silencioso, quase reverente.
— Há um ano… — ele começou, baixo, como se falasse apenas para si mesmo. — Eu não imaginava nada disso.
Fez uma pausa, os olhos percorrendo o horizonte iluminado.
— No próximo, eu vou assistir à virada com um bebê no colo.
Francine sorriu, emocionada, encostando a cabeça no peito dele, sentindo o peso bom daquela certeza.
Cássio e Malu trocaram um olhar cúmplice. Felizes por eles. Tranquilos. Sem saber que a noite ainda guardava algo que mudaria tudo.

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