Tereza falou num tom calmo, tentando convencê-la:
— Isadora, o Olavo nunca te amou. Nem fazendo esse tipo de coisa você vai conquistar um pingo da atenção dele. Então, para que se rebaixar assim?
Diante daquela encenação, Isadora soltou uma risada irônica:
— Tenho ações que, mesmo vendidas às pressas, ainda valem pelo menos 3 bilhões. E você aparece com 30 milhões achando que sou idiota?
— Tereza, o que é o Olavo afinal? Antes eu até olhava para ele pela nossa filha. Mas agora, com a Aline morta, ele para mim não passa de um ninguém!
— Com 51% do Grupo Carvalho nas minhas mãos. Que tipo de homem você acha que eu não consigo, se eu quiser?
À medida que desabafava, Isadora sentia que a vida finalmente começava a abrir caminho para ela.
Foi um choque! Tereza jamais imaginou que aquela Isadora meiga de antes... pudesse dizer algo tão absurdo.
E foi nesse instante que Tereza percebeu: o que sempre deu a ela a falsa sensação de superioridade não era o amor de Olavo por ela... mas sim o amor de Isadora por ele.
Agora, se Isadora realmente não ligava mais para Olavo, então tudo acabou.
Qualquer coisa que ela dissesse, já não machucava mais.
Essa perda de controle a deixou desnorteada.
Num impulso, Tereza jogou a xícara no chão, pegou um caco de vidro e cortou a própria mão. O sangue escorreu de imediato.
Isadora permaneceu sentada, tomando seu café como se nada tivesse acontecido.
E como num roteiro ensaiado, Olavo surgiu segundos depois, correndo em direção a Tereza. Segurou o pulso dela com força, apavorado:

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