Ele olhou para Isadora, a raiva quase transbordando por seus olhos:
— Fica quieta!
— Por que eu deveria ficar quieta? Acha que ainda estamos vivendo no passado? As mulheres já se libertaram faz tempo! Ah, vá se ferrar!
Sem pensar duas vezes, Isadora jogou o resto do café na roupa de Olavo e saiu com passos firmes, como se nada tivesse acontecido.
Ao sair, seus olhos cruzaram com os de Rafael, que estava parado do lado de fora.
Ela, que até agora estava firme como uma rocha, de repente se sentiu estranhamente tímida só de cruzar o olhar com ele.
Apressou o passo, franziu a testa e perguntou:
— O que você está fazendo aqui?
Rafael respondeu, diretamente:
— Vim te proteger, mas pelo jeito, foi perda de tempo. E não se esqueça que ainda me deve um churrasco.
Proteger? Na verdade, parecia mais uma cobrança.
Sem olhar para trás, ela deu de ombros:
— Tudo bem, vamos agora.
Ela entrou no carro dele como se fizesse isso todo dia e se sentou no banco do passageiro com tanta naturalidade que pareciam casados.
— Tá doendo muito... — Sussurrou Tereza, com os olhos marejados, enquanto sentia a mão quase ser esmagada.
Ouvindo isso, Olavo abaixou os olhos e viu o sangue. Sua expressão mudou na hora. Agarrou firme a mão dela e a puxou para fora.
Mas, antes que pudessem dar mais um passo, o garçom apareceu:
— Com licença, senhora, mas sua conta ainda não foi paga.
A vergonha bateu como uma onda. Tereza começou a tremer... e desmaiou nos braços de Olavo.

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