Ao encontrar o olhar frio de Olavo, o coração de Tereza se encheu de pânico. Ficou nervosa, sem saber se ele havia descoberto algo.
Ela perguntou, puxando levemente a manga dele:
— Olavo, você... por que não está dizendo nada?
— Tereza, você passou dos limites.
A expressão dele era fria como sempre, mas a voz ainda carregava um traço de gentileza, uma gentileza que não escondia a gravidade do que acabava de dizer.
As lágrimas de Tereza caíram com ainda mais força. Com a voz embargada, ela tentou se explicar:
— Sim, sei que errei, mas não foi de propósito... eu só queria te ajudar. A Isadora...
— Isso é entre mim e ela. Vou resolver.
Dessa vez, nem o falso carinho restou. Só havia frieza. Um aviso final.
Olavo sempre foi, no fundo, um homem que amava apenas a si mesmo. Tereza era uma exceção, mas uma exceção que não pesava mais que o próprio ego dele.
E foi ali que ela percebeu isso pela primeira vez.
Ela sempre achou que ocupava o lugar mais importante no coração dele. Mas agora... foi como levar um tapa na cara.
Finalmente entendeu: ela nunca foi prioridade. Ele mesmo era.
— Tá bom... eu entendi. Não vou mais fazer isso...
Tereza abaixou a cabeça e assumiu o erro, enquanto as lágrimas escorriam e pingavam nas costas da própria mão. O nariz ficou vermelho, os olhos inchados. Um retrato triste, capaz de provocar pena em qualquer pessoa.
Ela conhecia bem suas armas, e sabia como atingir os pontos fracos de Olavo.
Como sempre, funcionou. Em poucos segundos, ele amoleceu:
— Chega. Descansa bem, está? Tenho coisa para resolver na empresa. Mais tarde volto para te ver.
Olavo se levantou, afagou carinhosamente a cabeça dela e então saiu do quarto.

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