Para Isadora, qualquer coisa parecida com um reencontro de turma nunca trazia boas lembranças. Ainda mais agora, com seu nome circulando por toda parte na internet, ela não queria dar chance de virar alvo de perguntas.
Só de olhar sua expressão, Rafael percebeu logo o que passava pela cabeça dela.
— Não é reencontro de turma. A gente só vai dar um oi para os professores e para o reitor. Eles sempre cuidaram muito de você na faculdade. Sério que você não quer ver eles?
Ele falou sorrindo, tentando animar.
Seria melhor se ele não tivesse falado, porque toda vez que tocava nesse assunto, Rafael sentia um aperto no peito. Lembrava quando Isadora ia se casar, e a Profa. Juliana não aceitava. Ela dizia que o talento dela era grande demais para desistir da carreira assim, que seria um grande desperdício.
Mas naquela época, Isadora só tinha olhos para Olavo. Queria mesmo era ser esposa dele. E agora, estar nessa situação, parecia uma vergonha.
— A professora não vai me perdoar, nem vai querer me ver. Não quero causar mais problemas. Vai por mim.
Ela abaixou a cabeça e começou a comer rápido. A comida da cantina continuava ruim, mas o sabor ainda trazia aquela sensação familiar. E com isso, vinham também aquelas lembranças confusas.
Rafael sorriu baixinho, sentindo pena dela:
— Isso é coisa da sua cabeça. Todo mundo sente sua falta. Não diga mais isso, está?
Ela bufou, meio contrariada:
— Bem, eu vou. Está satisfeito agora?
Ele já sabia que Isadora não queria perder essa chance. Depois de tudo, como ela poderia não sentir falta do passado?
Enquanto isso, Olavo agia com força, mas Rafael não demonstrava reação alguma. Não atacava nem se defendia, como se nada tivesse acontecido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado