Às seis da manhã, Noah e eu estávamos prontos. Coloquei minha bolsa com minhas coisas em baixo do carrinho dele e desci para a cozinha. Preparei meu café e tomei, fiz um lanche para a viagem também, decidi cuidar mais da minha alimentação.
Peguei a estrada que ia para a vila e, enquanto caminhava, observava como o céu estava lindo. Tirei algumas fotos do lugar, tirei fotos de Noah e minhas também, amava fotos, pena que não poderia postar em nenhuma rede social. Aquele sem caráter do Sandro poderia me encontrar.
Às sete da manhã, eu entrava na Vila São Caetano e, mesmo que ontem eu a tivesse visto de longe, não se comparava em estar nela.
Na entrada, já havia um pequeno posto de gasolina, mais adiante uma padaria. Passeei pela praça enorme, havia flores e plantas e um pequeno palco já montado, com certeza era aqui que Oliver realizava as festas. Havia uma quadra de futebol coberta, um banco, borracharia, a escola e a farmácia que ficava perto do pronto-socorro. Quando estive aqui à noite com o Noah, não havia percebido nada disso, pois meu desespero e preocupação eram tantos, que não me deixaram enxergar em volta a beleza do lugar.
Logo vi um movimento de algumas pessoas e motos passando para um determinado local, resolvi ir para onde as pessoas estavam indo, não demorou e cheguei à famosa feirinha de São Caetano. Não sabia por onde começar ou aonde ir primeiro, havia muitas pessoas. Logo vi uma mulher com uma menininha de aproximadamente 3 anos, me aproximei dela, pegando meus laços e mostrando, ela olhou alguns, mas parecia estar mais interessada em saber quem eu era.
— Os lacinhos são lindos. Você mudou para cá agora, foi?
— Sim, sou nova aqui.
— Esse menino aí é seu? Seu marido trabalha em qual área? Na plantação ou na colheita? — Era uma pergunta atrás da outra.
— Ah, eu não tenho marido, não, e esse…
— Você é mãe solteira? — Antes de terminar a frase, ela já me interrompeu. — Coitadinha. Tão novinha e bonita e já está assim. Mas é assim mesmo, logo você arruma um homem bom que te ajuda a criar seu filho.
— Não, ele não é meu filho! — Já a corrigi antes, não queria que aquela má interpretação rendesse tanto assunto. — Sou a babá dele.
— Ah, entendi, já estava com pena de você, tão novinha e com filho para criar sozinha. — Sorriu — Você é a babá, agora está explicado. Ele é filho de quem?
— Ele é filho do senhor Oliver.
Ao me ouvir, a mulher pareceu estar vendo um fantasma, encarou mais uma vez o Noah, com atenção dessa vez. Me senti constrangida e já estava me retirando, quando ela voltou a falar.
— Ah, minha filha, desculpa, é que eu não sabia não, ouvi falar mesmo que tinha uma babá de fora olhando o menino, como nunca te vi por aqui, nem desconfiei, mas ele é lindinho demais.
— A senhora vai querer ficar com algum laço? — Tentei voltar ao início da conversa, tirando o foco de Noah.
— Gostei desses dois aqui, quanto fica?
— Dezoito reais.
— Vou levar. Você veio aqui só para vender esses laços? — Perguntou, pegando o dinheiro da bolsa.
— Sim.
— Já tem algum ponto de venda?
— Não, vou vender de porta em porta.
— Ah, assim é mais difícil menina, vem comigo! — Segurou meu braço. — Minha filha tem um pontinho ali que vende pimentas artesanais, tem uma barraca do lado que está vazia, eu vou falar com ela e você fica lá também, assim não precisa ficar andando muito com o bebê nesse sol.
— Não precisa se incomodar.
— Não é incômodo não, filha, olha! Me desculpa por ter te feito um interrogatório, é que aqui o povo todo é meio desconfiado, sabe? Vem comigo, lá do lado da barraca dela tem um espacinho para você colocar seus laços à mostra. Aqui ninguém vende essas coisas bonitas não, você irá vender isso rapidinho, quando todo mundo souber o ponto fixo onde você está.
— Mas essas barracas são pagas?
— Não, de jeito nenhum, são todas doadas pelo senhor Oliver, ele não cobra nada de ninguém.
Resolvi acompanhar a mulher, apesar de ela ter sido um pouco inconveniente no começo, parecia uma boa pessoa.
— Afinal nem me apresentei, meu nome é Neide e o seu?
— O meu nome é Aurora.
Logo chegamos à barraca da filha de Neide, que se chamava Poliana, ela era a mãe da menininha que estava com Neide.
— Poliana, essa aqui é Aurora, ela vai ficar nessa barraca aqui.

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