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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 443

A manhã estava especialmente quente em São Caetano, e Catarina acordou sentindo que havia sido atropelada por um trator. Literalmente. A cabeça pesava, o corpo parecia desligado e, por algum motivo inexplicável, o cheiro do café que Henri preparava, geralmente o aroma mais perfeito do mundo, naquele dia estava simplesmente insuportável.

— Bom dia, amor… — Henri disse ao entrar no quarto, trazendo a xícara favorita dela. — Preparei o seu café como você gosta.

Assim que ele entrou, ela levou a mão à boca.

— Meu Deus… tira isso daqui!

Confuso, Henri parou no meio do caminho.

— O café?

— O cheiro está horrível! — Ela abanou o ar com as mãos. — Você colocou o quê aí? Gasolina?

— Ué… — Ele cheirou a xícara. — Está normal.

— Para você! Para mim, está… — ela fez uma careta — … insuportável!

Ele saiu do quarto resmungando, ainda sem entender. Enquanto Catarina colocava a culpa no estresse dos últimos dias da faculdade, do calor absurdo… tudo podia ser culpa disso.

Mas, assim que colocou o pé na cozinha, outra onda de enjoo veio com força total.

Henri arregalou os olhos.

— Catarina, você está bem?

— Não… — ela correu até a pia — … eu acho que vou…

Largando o café, o marido correu atrás dela e segurou o cabelo dela enquanto ela vomitava pela terceira vez em dois dias.

— É intoxicação alimentar — ele decretou, convicto. — Eu sabia que a sobremesa que pedimos aquele dia não estava com cara boa.

Mesmo fraca, Catarina ergueu o rosto.

— Amor, pelo amor de Deus, sempre pedimos a mesma sobremesa no mesmo restaurante.

Ele pensou por um instante.

— Então é virose.

— Eu também acho que seja — ela concordou.

Mas, quando se endireitou, colocou a mão na barriga e sentiu um leve incômodo diferente. Não era dor. Não era enjoo. Era… algo. Um clique mental. Uma lâmpada acendendo. Uma ideia absurda?

Não. Não podia ser.

Podia?

[…]

— Mãe… — ela disse, horas depois, entrando na casa dos pais com um humor esquisito.

Andrea estava dobrando roupas quando a filha entrou, pálida.

— Filha, meu Deus, o que houve? Você está com uma cara… — ela fez um gesto com a mão — … assim ó... de quem viu uma assombração.

Respirando fundo, Catarina soltou.

— Mãe… tenho algo para te contar. Mas você promete que não vai contar a ninguém ainda?

— Prometo. — Andrea respondeu séria, mas o olho dela brilhou, já imaginando coisa grande.

— Eu… — Catarina pigarreou — … passei mal ontem, passei mal hoje…

— Com enjoos? — Andrea questionou, arqueando a sobrancelha.

— Sim! — Catarina bufou. — Não sei se foi algo que comi, ou… Só pensei… que talvez… exista a possibilidade… mínima… remota…

— Minúscula? — Andrea completou.

— É.

A mãe abriu um sorriso lento, perigosíssimo.

— Catarina… — ela disse, segurando o rosto da filha com as duas mãos — … Você está achando que está grávida?

— Achando não, mãe. Eu só… suspeito.

Andrea não teve a menor intenção de ser discreta.

— Damião! — ela berrou, fazendo a filha arregalar os olhos. — Damião, pode vir aqui um momento?

— Mãe! — Catarina deu um empurrão leve nela. — Pelo amor de Deus, não o chame desse jeito!

Mas já era tarde.

Damião apareceu na porta do corredor, com cara de quem havia corrido do outro lado da casa achando que era emergência hospitalar.

— O que foi? O que aconteceu? — ele perguntou, ofegante.

Andrea apontou teatralmente para Catarina.

— Nossa filha pode estar grávida!

— Mãe! — Catarina gritou.

Damião congelou. Literalmente. Os olhos arregalaram. Ele piscou três vezes. Depois, abriu a boca, mas nada saiu.

— Eu não estou dizendo que estou grávida! — Catarina tentou explicar. — Eu só… estou enjoada. Só isso.

Ignorando completamente a tentativa de defesa da filha, Andrea colocou a mão na cintura.

— Vamos comprar um teste agora.

— Agora? — Catarina repetiu.

Damião levantou as mãos.

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