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Caminho traçado: uma babá na fazenda romance Capítulo 50

— Aurora!

A voz de Saulo, me chamando fora do fórum, me fez voltar ao mundo real.

— Oi…

— Que resultado tivemos, hein? Esta vitória deve ser comemorada!

— O Oliver me disse que sairíamos para comer fora depois do julgamento.

— Ah, foi? — Fez cara de dúvida. — Estranho, ele deve ter se esquecido, porque já foi embora e pediu que eu te levasse para casa.

— Ah… — Me senti um pouco mal, por termos uma conversa pendente. — Então vamos para casa, lá o encontramos.

— Bem, acho que você não entendeu, ele voltou para a fazenda.

— Mas, o que houve?

— Bem, ele não fica muito tempo longe da fazenda, acho que você sabe disso e após o seu caso ter sido resolvido, ele disse que iria, por ter muito trabalho acumulado.

— É verdade. O Oliver deixou muita coisa de lado para me ajudar, eu sempre serei grata a ele.

— Parece que ficou um pouco triste.

— Impressão sua, senhor.

— Bem, como o Oliver não está aqui, vamos fazer assim, nós dois comemoraremos. Vamos comer algo antes de voltar para casa, tudo bem?

— Não precisa.

— Faço questão!

Saulo dirigiu-se por alguns minutos até chegarmos a um pequeno restaurante, que, apesar de ser pequeno, era extremamente bonito. Sentamos em uma mesa próxima à janela.

— O que quer comer?

— Qualquer coisa.

— Se você for igual à Denise, qualquer coisa quer dizer, tudo o que for gostoso. — Riu.

Depois de alguns minutos olhando o cardápio, fizemos o pedido. Enquanto aguardávamos, eu ficava observando a rua. Tinha muita vergonha de estar em lugares chiques como esse e também não tinha nenhuma intimidade com Saulo para conversarmos sobre alguma coisa.

— Você viu sua mãe depois da sentença? — Saulo perguntou ao perceber o silêncio ensurdecedor que se instalou entre nós.

— Sim.

— Ela te falou algo?

— Falou que a culpa de tudo era minha.

O rosto de Saulo era de surpresa.

— Vejo que sua mãe é osso duro, hein? Que pena, apesar das provas e testemunhas afirmando a índole do marido, continuou a acreditar nele.

— É. O amor é cego! — Falei sem graça.

— Para mim, não é mais amor, mas não cabe a mim dizer o que é. Sinto muito por isso.

— Não se preocupe, não. Eu já deixei de lado, e não se ajuda quem não quer ser ajudado.

— Para sua idade, você é uma pessoa bem madura.

— Estou aprendendo com a melhor professora, a vida.

— O que acha que sua mãe vai fazer agora?

— Não sei e isso me intriga, não por ela, sabe? Mas por minha irmãzinha. Tenho medo de a Alice passar as mesmas coisas que passei.

— Entendo. — Pensou um pouco antes de falar. — Você sabe que pode pedir a guarda dela, não sabe?

— Como assim?

— Bem, como o pai é um detento que vai cumprir prisão e sua mãe está desempregada e não tem onde ficar, você, como parente mais próximo, pode pedir a guarda. Já é maior de idade, tem emprego e salário fixo, tem moradia.

— Eu não tenho moradia não! Também não tenho como provar que trabalho, não sei se sabe, mas não sou registrada.

Capítulo 50 Palavras mal ditas 1

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