Chegamos à fazenda, desarrumei minha mala e almocei. Após ir para o quarto com Denise, começamos a conversar quando Oliver bateu na porta.
Eu ainda não havia visto-o depois do julgamento, nem nos falamos de nenhum modo, ele estava sério.
— Boa tarde!
— Boa tarde, senhor. — Respondemos.
— Aurora, como você está se sentindo?
— Muito bem, graças a Deus.
— Então, já que está tudo bem, você volta a cuidar do Noah e Denise, você volta para seus afazeres.
Falou e saiu do quarto, e nós nos entreolhamos sem entender nada.
— O que será que aconteceu? — Denise começou.
— Não sei, ele deve estar nervoso e com serviço acumulado.
— Até parece que voltou a ser o ranzinza de antes, eu hein! Voltarei para a cozinha, antes que ele volte aqui.
Denise deu um beijo em Noah e saiu do quarto, e eu fiquei pensando no porquê dele estar tão sério, parecia estar com o mesmo semblante de quando o conheci.
[…]
Os dias se passaram rápido. Não via Oliver em casa de modo algum, até dormir com Noah, ele havia parado nos fins de semana. Pois saía de casa na sexta e voltava apenas na segunda. Não tive oportunidade de conversar com ele, também não me dava nenhuma abertura, era como se eu fosse invisível, e me tratava do mesmo modo como era antes quando cheguei à fazenda. Isso me intrigava muito, mas eu não podia cobrar nada dele, afinal, eu era apenas uma funcionária. Amanhã acontecerá a abertura da feira agropecuária e eu não havia comprado nenhuma roupa.
— Oi… — Encontrei Denise na cozinha, temperando uma carne que parecia deliciosa.
— E aí, Aurora, como está a expectativa para amanhã?
— Nenhuma. Estou indo a trabalho, então não espero nada.
— Fica assim não, amiga, quem sabe ele te dá um dia de folga e você curte um pouco, já que você merece muito.
— Quem sabe, né?
Falei sem esperança, Oliver não parecia estar interessado em me dar folga.
— Bom dia!
Oliver adentrou a cozinha com uma sacola em mãos.
— Bom dia, senhor! — Respondemos em uníssono.
— Aurora, isso é para você, amanhã começa a feira, quero levar o Noah, você vestirá isso.
Peguei a sacola e agradeci. Logo que ele virou as costas e saiu, Denise veio toda empolgada para cima de mim.
— Abre logo, Aurora, deixa eu ver seu look de amanhã! — Falou eufórica.
— Calma, assim você vai rasgar a sacola.
Abri com cuidado a embalagem e o que vi me deixou um tanto desanimada.
— Um uniforme? — Denise falou desacreditada.
Na sacola, havia uma blusa e uma calça branca. A calça era um tanto folgada, parecia aquelas roupas que os médicos usavam em plantões.
— É. — Engoli seco, lembro de ter falado a ele sobre a farda, mas ele discordou, dizendo que eu deveria me vestir conforme a ocasião, pois bem. — Ele está certo, se estou indo trabalhar, nada mais justo do que me vestir a caráter.
— Amiga, isso é tão… — Denise parecia estar mais desapontada que eu.
— Não se preocupe. — A interrompi, Denise parecia estar sentida por mim. Eu também estava, mas não por mim e sim por Oliver, ele havia mudado e o pior é que eu não sabia o porquê.
Peguei minha roupa e subi para o quarto. Eu tentaria dar um jeito nas pernas da calça, pois estavam muito abertas e eu não gostava desse estilo. Após o almoço, saí do quarto e fui passear com Noah. Demos uma volta no jardim, depois passamos perto do lago, quando foi bem de tardinha, entramos na casa. Oliver estava sentado no sofá, quando entrei, ele me olhou por um momento, mas passei direto. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas continuo sendo a mesma pessoa. Caso quisesse conversar, estaria aqui, eu não iria correr atrás de ninguém. Entrei e dei banho em Noah, logo tomei banho também. Às oito da noite, ele bateu na porta do quarto.
— Aurora.
— Sim, senhor.

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